Cérebro de indígenas da Amazônia envelhece muito mais lentamente do que populações ocidentais, revela novo estudo

Cérebro de indígenas de tribo da Amazônia envelhece 70% mais devagar que indivíduos de populações ocidentais

O modo de vida dos indígenas Tsimane já tinha sido estudado antes. Esta etnia, que vive em florestas ao leste dos Andes, na Amazônia boliviana, pratica a da agricultura de subsistência, assim como faz uso da caça para conseguir seus alimentos. Com isso, tem uma vida muito saudável, que inclui uma variedade de atividades físicas, assim como uma dieta mais natural.

Durante dois anos, entre 2014 e 2015, pesquisadores visitaram 85 aldeias de Tsimane e fizeram tomografias em indígenas com mais de 40 anos. Os exames apontaram um resultado impressionante: 85% deles não tinham risco de doença cardíaca de qualquer espécie, apesar de apresentarem com grande frequência infecções e inflamações. Em 2017, os achados daquela pesquisa foram publicados numa das mais renomadas revistas médicas internacionais, a Lancet.

No artigo os cientistas afirmavam que os Tsimane tinham os menores níveis relatados de doença arterial coronariana de qualquer população testada até então no mundo.

Cérebro de indígenas de tribo da Amazônia envelhece 70% mais devagar que indivíduos de populações ocidentais

A vida dos Tsimane depende da agricultura de subsistência, pesca e caça

Agora, uma nova análise do Tsimane Health and Life History Project, projeto que ao longo dos anos acompanha a saúde desse povo, vem reforçar ainda mais que o modo de vida dos Tsimane traz benefícios para a saúde.

Em um novo artigo científico, divulgado no The Journal of Gerontology, Series A: Biological Sciences and Medical Sciences, os pesquisadores revelam que o cérebro dos Tsimane envelhece de forma muito mais devagar se comparado a pessoas da mesma idade de países como Estados Unidos ou Europa.

É comum que com o passar da idade, o cérebro do ser humano perca volume. Mas as análises feitas com os indígenas indicaram que essa redução é 70% mais lenta do que nas populações ocidentais. A perda acelerada de volume cerebral pode ser um sinal de demência.

“Os Tsimane nos forneceram um experimento natural incrível sobre os efeitos potencialmente prejudiciais dos estilos de vida modernos sobre nossa saúde”, destaca o principal autor do estudo, Andrei Irimia, professor de Gerontologia, Neurociência e Engenharia Biomédica da Escola de Gerontologia Leonard Davis da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos.

Ainda segundo Irimia, a descoberta sugere que a atrofia cerebral pode ser retardada substancialmente pelos mesmos fatores de estilo de vida associados a um risco muito baixo de doenças cardíacas.

“Nosso estilo de vida sedentário e nossa dieta rica em açúcares e gorduras podem estar acelerando a perda de tecido cerebral com a idade e nos tornando mais vulneráveis a doenças como Alzheimer”, alerta Hillard Kaplan, professor de Economia daS aúde e Antropologia da Universidade Chapman, que estudou o Tsimane por quase duas décadas. “Os Tsimanes pode servir de base para o envelhecimento saudável do cérebro”.

Travessia do rio Maniqui no começo do dia: os indígenas da etnia Tsimane podem ser a chave para uma vida mais longeva e saudável

*Com informações do Departamento de Comunicação da Universidade da Carolina do Sul

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Fotos: Ben Trumble/divulgação Universidade de Chapman (abertura) e demais Michael Gurven/Tsimane Health and Life History Project Team

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Cérebro de indígenas da Amazônia envelhece muito mais lentamente do que populações ocidentais, revela novo estudo

  • 4 de junho de 2021 em 11:50 AM
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    Se fossemos humildes poderíamos aprender com eles o segredo da longevidade e da saúde física e mental, tesouros verdadeiros, mais valiosos do que o ouro arrancado da terra estuprada que empobrece as mãos impuras que o tocam. O vírus que os pode matar, somos nós, homens brancos sem a pureza d’alma inata deles, mentirosos e traiçoeiros, ambiciosos e maus. Nosso orgulho insensato nos impede de lhes pedir perdão pelo que roubamos, impunemente, deles, de seus avós e netos, originariamente deles, a sagrada terra, antes de nós pisada: deles. No entanto, a natureza que os cerca é o remédio que os refaz e cura, que lhes permite envelhecer em paz, à despeito da ameaça de invasores, que os poderia enfartar ou enlouquecer. Criminosamente doentes, somos nós que deveríamos, de joelhos, ouvir suas lições de bem aventurança e paz no verde em que estagiam, recanto ainda preservando pelos deuses para os bebês que nascem com saúde, com o destino de ser, um dia, velhos. Se deixarem, o serão, mas somente aprenderemos como, se sobrar Amazônia.

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