Incêndios na Califórnia: mais de 1 milhão de hectares destruídos e temperatura recorde de 49°C graus

Incêndios na Califórnia: quase 900 mil km² de vegetação queimados e temperatura recorde de 49°C graus

*Atualizado em 10/09/20

Mais de 14 mil brigadistas e bombeiros estão trabalhando para controlar o fogo que devasta a Califórnia. Este ano os incêndios florestais começaram mais cedo e até este momento já queimaram 1 milhão de hectares de vegetação. Já é um novo recorde e ainda há mais quatro meses da chamada “temporada dos incêndios” no estado e geralmente, setembro e outubro são os piores.

Além da destruição ambiental, oito pessoas morreram e 3.300 construções foram destruídas. Mais de 50 mil moradores da Califórnia foram obrigados a abandonar suas casas.

Há 25 grandes incêndios sendo combatidos hoje. A temperatura altíssima registrada no estado no último final de semana – os termômetros indicaram 49°C no condado de Los Angeles, no sul da Califórnia – , aliada à baixa umidade e o vento forte, só fazem as chamas se alastrarem mais.

De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia, há um sistema de alta pressão sobre a região, impedindo que a onda de calor se movimente. E não há previsão de chuvas para os próximos dias.

Incêndios na Califórnia: quase 900 mil km² de vegetação queimados e temperatura recorde de 49°C graus

Mais de 14 mil bombeiros trabalham para controlar as chamas

Hoje foram fechados diversos parques. Nesta terça, 148 pessoas precisaram ser resgatadas de helicóptero da Sierra National Forest porque ficaram encurraladas pelo fogo. No final de semana, outros 224 turistas e visitantes também foram retirados às pressas, pelo ar, do Mammoth Pool Reservoir, um lugar muito popular entre aqueles que pescam, fazem trilhas e acampam.

Efeito das mudanças climáticas

Há poucas semanas divulgamos aqui o apelo do governador do estado, Gavin Newsom: “Se você não acredita em mudança climática, venha para a Califórnia”.

Ano a ano a tragédia se repete. E a dimensão dos prejuízos, ambientais e humanos, só aumenta. Um estudo com dados do Federal Emergency Management Agency (FEMA), agência federal que administra desastres naturais nos Estados Unidos, revela que a extensão dos incêndios mais que triplicou entre 1970 e 2010.

Dos 20 incêndios mais devastadores que a Califórnia já enfrentou em sua história, 17 ocorreram desde 2003.

E as previsões de especialistas revelam que, até 2050, a duração da estação do fogo deve ganhar 24 dias a mais.

Incêndios na Califórnia: quase 900 mil km² de vegetação queimados e temperatura recorde de 49°C graus

Já passa de 3 mil o número de propriedades destruídas pelo fogo

Assim como Gavin Newsom, cientistas do clima não têm medo de afirmar que a tragédia que só se agrava na Califórnia é mais um dos efeitos do aquecimento global, que torna os extremos climáticos (secas, incêndios, furacões e tempestades) mais fortes e frequentes.

Durante a Convenção do Partido Democrata no mês passado, o governador falou sobre a crise climática. “Não podemos perder mais um momento. Outro ciclo. Mais um ano negando as mudanças climáticas. Refutando a ciência”, alertou. “O quente está ficando mais quente. O seco está ficando mais seco. A mudança climática é real”.

Há poucas horas, Newsom usou sua conta no Twitter para falar sobre os números dos incêndios em 2020, já maiores do que os de 2019.

Incêndios na Califórnia: mais de 800 mil hectares destruídos e temperatura recorde de 49°C graus

Outros sete estados americanos também sofrem com a seca e os incêndios florestais: Utah, Nevada, Arizona, Idaho, Oregon, Wyoming e Montana.

*Com informações do CAL Fire, USA Today e do The New York Times

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Fotos: reprodução Facebook Rio Vista Fire Department e CAL FIRE/San Diego County Fire

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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