Ilhas Maurício declaram estado de emergência ambiental após vazamento de mil toneladas de óleo

No último sábado, 8/8, as águas cor de turquesa do mar que banha as Ilhas Maurício, no Oceano Índico, foram tingidas com cerca de mil toneladas de óleo negro que vazaram do navio cargueiro MV Wakashio, de propriedade da Nagashiki Shipping Company e operado pela Mitsui OSK Line.

Em 25 de julho, a embarcação encalhou no recife de corais Point d’Esny – um dos mais belos do mundo – próximo ao arquipélago, e teve seu casco rachado. Especialistas alertam que o navio transportava 3,8 toneladas, sendo 2.600 toneladas de óleo combustível e 200 toneladas de diesel e que a carcaça está se desmanchando, o que pode resultar em um desastre ecológico (e econômico) maior do que o previsto até agora.

Este é o primeiro vazamento da região e o local onde aconteceu o desastre é famoso pela diversidade de corais e espécies de peixes, águas azul-turquesa e pântanos protegidos.

Tragédia anunciada

Mas por que as autoridades não tomaram logo providências já que o risco era iminente? “Essa é a grande questão”, salientou Jean Hugues Gardenne, da Fundação para a Vida Selvagem das Ilhas Maurício à Associated Press. “Por que aquele navio está parado há muito tempo naquele recife de coral e nada foi feito?”.

Somente no sábado, com a inclinação visível do navio, o governo declarou estado de emergência ambiental. O primeiro-ministro, Pravind Jugnauth, declarou, ao jornal The New York Times, que o vazamento de óleo “representa um perigo” porque o navio pode ser partir. O país de 1,3 milhão de habitantes depende basicamente do turismo e já foi bastante atingido pela pandemia, que restringiu as viagens pelo mundo.

Desesperados com o impacto do desastre, assim que tomaram conhecimento da inclinação do navio, moradores se uniram para tentar conter o óleo e salvar espécies.

Criaram cilindros enormes feitos de redes, folhas de cana de açúcar, garrafas plásticas e fios de cabelo para absorver e reter o óleo com barragens flutuantes – até que possa ser sugado – e transportaram bebês tartarugas e plantas raras da Ile aux Aigrettes, ilha próxima ao vazamento, para o continente.

Um verdadeiro mutirão foi formado por mergulhadores, pescadores, trabalhadores especializados em vida selvagem, que atuam diretamente na contenção do óleo e no transporte dos animais, e que ainda inclui donos de pousadas que oferecem acomodação gratuita para voluntários de outras partes do arquipélago e estabelecimentos que oferecem alimentação.

E salões de cabeleireiros lançaram campanha de desconto para quem quiser cortar e doar os cabelos que continuarão sendo utilizados para conter o vazamento.

Ontem, helicópteros recolheram parte do óleo, mas esse trabalho foi interrompido devido aos ventos fortes e ao mar agitado, que também pode impactar a carcaça do navio.

Greta faz doação e apoia campanha de moradores

Jovens do movimento Fridays for Future, iniciado por Greta Thunberg em 2018, pediram socorro para a ativista sueca por meio das redes sociais.

“Estamos em estado de emergência ambiental após um derramamento de óleo em nossas lagoas! Os moradores começaram a se mobilizar, mas somos uma pequena ilha tropical com recursos limitados. Por favor, você pode nos ajudar?Precisamos de equipamentos especiais para retirar o óleo de nossas costas e mar”.

Prontamente, Greta divulgou a notícia, também em suas redes sociais, e informou que sua fundação iria colaborar com a doação de 10 mil libras ou cerca de 70 mil reais. Também convidou seus seguidores a participar da campanha de financiamento coletivo criada pelos moradores das Ilhas para arrecadar 10 mil rúpias mauricianas (MUR) ou 1,357 milhão de reais.

“Claro que as empresas petrolíferas e marítimas devem pagar pelos danos que causaram. Mas, já que obviamente não se importam, por favor doe se puder”.

Akihiko Ono, vice-presidente executivo da Mitsui OSK Lines, declarou a jornais de Tóquio, no domingo: “Pedimos desculpas profusa e profundamente pelos grandes problemas que causamos”, prometendo que farão tudo que estiver a seu alcance para conter o vazamento de óleo. Hoje, enviaria equipe de especialistas para o local, logo após testarem negativo para a Covid-19.

Ontem, a empresa proprietária do barco, Nagashiki Shipping, divulgou nota para pedir “profundas desculpas ao povo de Maurício”, e se comprometeu a fazer “o melhor para proteger o meio ambiente e mitigar os efeitos da poluição”.

Fontes: Greta Thunberg/Instagram, NY Times, Sun, Mashable, Greenpeace África

Fotos: Reprodução de vídeos/Instagram e divulgação/crowdfunding

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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