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ICMBio interdita piscinais naturais em Fernando de Noronha após brigas de turistas e cobrança ilegal de serviços

ICMBio interdita piscinais naturais em Fernando de Noronha após brigas de turistas e cobrança ilegal de serviços

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) de Fernando de Noronha anunciou na segunda-feira (17/11) a interdição, por tempo indeterminado, das piscinas naturais conhecidas como Buraco do Galego (na imagem acima) e Lasca da Velha, localizadas na Praia do Cachorro. A medida foi tomada após registros de brigas entre turistas, moradores e guias não autorizados para uso das atrações. As discussões foram, inclusive, divulgadas em redes sociais.

Além disso, o ICMBio também teve conhecimento de estavam sendo realizada cobranças indevidas para a utilização das piscinas.

A intenção inicial do órgão era apenas organizar a visitação sem precisar fechá-las. “No entanto, diante do volume e da gravidade das denúncias – incluindo conflitos entre visitantes e condutores -, a interdição tornou-se necessária para garantir a segurança e a integridade dos usuários e da área”, explica Mário Douglas Fortini, coordenador da Área Temática de Ordenamento Territorial do ICMBio.

Infelizmente o caso também é um reflexo do impacto, negativo, das redes sociais sobre o turismo. Isso acontece quando influenciadores ou celebridades, por exemplo, divulgam certos locais em seus perfis e a partir daí hordas de turistas querem visitar o mesmo lugar “instagramável” para tirar fotos e postar selfies.

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Em 2018, o jogador de futebol Neymar esteve em Noronha e fez uma foto da namorada na época, a atriz Bruna Marquezine no Buraco do Galego. A partir daí, a piscina que também a ser chamada de “Buraco do Neymar” e formavam-se filas de turistas ali.

Outro caso semelhante ocorreu na Tailândia. Também em 2018, o governo do país fechou a Baía de Maya, na ilha de Koh Phi Phi Leh. O local, um paraíso natural, ficou famoso no mundo inteiro após ser cenário da parte mais importante do filme “A Praia”, estrelado pelo ator Leonardo DiCaprio, no ano 2000.

Todavia, com a notoriedade ganha nas telas do cinema, milhões de turistas começaram a visitar a baía. Eram cerca de 200 barcos aportando diariamente e deixando ali 120 mil pessoas por mês – quase 1,5 milhão por ano. O impacto sobre a biodiversidade foi arrasador. Os recifes de corais foram destruídos e a vida marinha gravemente afetada.

Foram necessários três anos para que a natureza em Maya se regenerasse e ela fosse reaberta, mas sobre regras rígidas de turismo.

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Foto de abertura: Juliana Vignola / Creative Commons / Flickr

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