Hospital das Clínicas, em SP, inicia vacinação de seus mais de 20 mil profissionais de saúde

Hospital das Clínicas, em SP, inicia vacinação de seus mais de 20 mil profissionais de saúde

Depois de meses trabalhando para salvar vidas durante a pandemia do novo coronavírus, começou a vacinação dos profissionais de saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), um dos maiores centros do país na luta contra a COVID-19.

Foi montada uma mega-operação para que seus mais de 20 mil funcionários possam ser imunizados rapidamente. Foram instalados 30 guichês no Centro de Convenções Rebouças, situado ao lado do complexo hospitalar do HC, que funcionarão 12 horas por dia, das 7h às 19h. A meta é vacinar 22 mil pessoas em três dias.

Os profissionais de saúde estão recebendo a primeira dose da vacina CoronaVac, da farmacêutica chinesa Sinovac, desenvolvida em parceria no Brasil com o Instituto Butantan, e que teve seu uso emergencial aprovado ontem (17/01) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para poder vacinar tanta gente, voluntários, entre enfermeiros, auxiliares de enfermagem e médicos, irão aplicar as injeções e funcionários da área administrativa atuarão no cadastramento das pessoas.

“Nossos profissionais têm sido verdadeiros heróis durante todo esse período e agora é o momento em que receberão a vacina para continuar atendendo a população com maior segurança. Além de proteger contra a doença, a vacina é também uma injeção de ânimo e esperança para eles e para todos nós, brasileiros”, afirmou Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho, presidente do conselho deliberativo do HCFMUSP.

A médica infectologista, Silvia Figueiredo Costa, que aparece na imagem que abre este post, foi uma das pessoas que recebeu a vacina hoje e ficou muito feliz. Ela também é uma das voluntárias para a aplicação da CoronaVac. “Viva o SUS, viva a universidade pública, viva o Butatan e acima de tudo, viva a ciência’, disse. “A sensação é de alívio de finalmente termos uma vacina no Brasil. E de esperança que com a vacina possamos controlar a pandemia”.

Silvia ressalta, entretanto, que o distanciamento social deve continuar. E que a proteção só acontece após a segunda dose, que será aplicada 15 a 28 dias após a primeira. “A vacina foi desenvolvida e validada em testes clínicos conduzidos rapidamente e durante uma pandemia em que os cientistas e profissionais de saúde estão sobrecarregados. Isso foi um grande feito. A vacina é segura, a população deve tomar a vacina sem receio. Temos um sistema de saúde privilegiado que facilitará a aplicação da vacina”.

A médica destaca ainda que a população deve ser paciente e respeitar as indicações para que as pessoas de maior risco tenham prioridade na vacinação. “Todos os países do mundo estão usando as mesmas normas de segurança e de prioridade. Provavelmente o Brasil precisará de outras vacinas além das que já estão registradas na Anvisa. Somos um país continental e as vacinas são essenciais para o controle da pandemia e, até o momento, as únicas armas disponíveis contra a COVID-19”, completa.

Então, mais uma vez, vai o alerta: ainda estamos muito longe do final da pandemia! Continue usando máscaras de proteção, mantendo o distanciamento social e lavando as mãos com frequência. E quando a vacina estiver disponível para você, se vacine!

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Foto: arquivo pessoal

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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