“Há esperança. Mas ela não vem dos governos. Vem das pessoas”, diz Greta Thunberg, na COP25, em Madrid

"Há esperança. Mas ela não vem dos governos. Vem das pessoas", diz Greta Thunberg, na COP25, em Madrid

No mesmo dia em que recebeu a notícia que foi escolhida como ‘Personalidade do Ano’ pela revista Time, a ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, deu mais um poderoso discurso. Desta vez, na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP25, que acontece em Madrid, na Espanha.

A jovem começou a contar como há pouco mais de um ano, ela apenas falava quando era extremamente necessário. Greta tem a síndrome de Asperger, uma forma branda de autismo, mas que, em alguns casos, compromete a habilidade de interação social.

“Mas desde então, eu encontrei uma razão pela qual falar. Já discursei diversas vezes e aprendi que quando você fala em público, deve começar com algo pessoal ou emotivo para atrair a atenção das pessoas. Dizer coisas como “nossa casa está pegando fogo, eu quero que vocês entrem em pânico ou como se atrevem“, entretanto, hoje eu não farei isso. Porque no final das contas, as pessoas só focam nessas frases e acabam esquecendo os fatos e o motivo porquê eu digo aquilo tudo”.

O que Greta fez foi citar dados fornecidos pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), órgão das Nações Unidas, que estuda as alterações do clima no planeta. A ativista enfatizou que os números e informações da entidade não representam a opinião ou parecer político de ninguém, mas evidências científicas.

“Não temos mais tempo de deixar de lado a Ciência. Por mais de um ano, tenho falado constantemente sobre o limite do nosso orçamento de carbono (gás apontado como principal responsável pelo aquecimento global), mas como continuo sendo ignorada, vou continuar a repetir”.

Greta ressaltou que é dever das nações mais ricas liderar o movimento de redução de emissão de gases de efeito estufa e após isso, ajudarem os países mais pobres a fazer o mesmo. Ela ressaltou, novamente, porque já mencionou isso em discursos anteriores, que com o aumento atual da temperatura global, pessoas estão morrendo e geleiras derretendo.

“Então a minha pergunta para você é: como vocês reagem a essas informações em ficar, pelo menos um pouco zangados, ou entrar em pânico? E como comunicar isso sem soar alarmista?… Eu realmente gostaria de saber…”, questionou.

A jovem afirmou que desde a assinatura do Acordo de Paris, bancos globais investiram 1,9 trilhão de dólares em combustíveis fósseis. Pouco mais de 100 companhias são responsáveis por 80% das emissões do planeta e 10% da população mais rica do mundo produz metade das emissões de CO2, enquanto os mais pobres, apenas 1/10.

Apesar de estar no palco da COP25, Greta não poupou críticas ao evento. Disse que muitos usam a conferência para negociar maneiras de não cumprir suas metas de redução de carbono. “Acredito que o maior perigo não está na inação, mas quando políticos e CEOs não estão fazendo praticamente nada além de contabilidade inteligente e relações públicas criativas”, denunciou.

Para finalizar, a adolescente comentou que suas viagens ao redor do mundo mostraram a ela que, infelizmente, há falta de informação em todo lugar, incluindo, entre aqueles eleitos para liderar seus países – e por isso mesmo, não estão agindo como se houvesse uma emergência climática.

“Sem essa mudança de comportamento, como nós, o povo, podemos entender que realmente há um crise? Sem pressão da população, nossos líderes poderão ‘escapar’ sem fazer nada. Em apenas três semanas, entraremos em uma nova década. Que definirá nosso futuro. Estamos desesperados por um sinal de esperança. Mas eu gostaria de dizer que há esperança. Eu a vi. Mas elas não vem de governos ou corporações. Ela vem das pessoas, que não tinham consciência, mas começaram a acordar”.

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Foto: UNclimatechange/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

3 comentários em ““Há esperança. Mas ela não vem dos governos. Vem das pessoas”, diz Greta Thunberg, na COP25, em Madrid

  • 13 de dezembro de 2019 em 5:28 PM
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    E aqueles que criticam Greta na verdade querem tirar lucros abusando dos recursos naturais, ou são aqueles velhos que tem aversão a tudo que é novo, ou são asno mesmo! Por que criticar alguém que tá tentando nos salvar?

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  • 5 de janeiro de 2020 em 8:18 AM
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    Respondo da seguinte forma: “os cães ladram mas a caravana passa”. Embora haja sinais evidentes de alterações provocadas pela ação humana, ,ainda ha tempo de reverter os danos. Para tanto, precisamos compartilhar das vozes de pessoas como Greta no sentido de união de forças para SALVAR o nosso planeta. Ainda ha tempo!

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  • 14 de janeiro de 2020 em 9:30 PM
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    Ela tem razão total no que diz , se além de votarmos errado nos botando reféns de quem elegemos não podemos nos dar ao luxo de fazer o mesmo com o meio ambiente ou não deixaremos um planeta habitável a quem vem depois de nós , filhos e netos, simples assim

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