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Gripe aviária reduz em quase 50% número de fêmeas de elefantes-marinhos na Geórgia do Sul

Gripe aviária reduz em quase 50% número de fêmeas de elefantes-marinhos na ilha da Geórgia do Sul

A maior população mundial de elefantes-marinhos-do-sul (Mirounga leonina) sofreu um impacto sem precedentes com a chegada da gripe aviária à ilha da Geórgia do Sul, localizada entre as Ilhas Malvinas e a Antártica. Em 2023, especialistas já tinham feito o alerta sobre a possível tragédia, quando começaram a ser registradas as primeiras mortes de animais marinhos causados pelo vírus H5N1 na região.

Agora, um levantamento divulgado pelo British Antarctic Survey (BAS), instituto de pesquisa britânico, dá a dimensão do desastre. O monitoramento apontou uma queda de 47% das fêmeas reprodutoras da espécie entre 2022 e 2024.

“A dimensão desse declínio é verdadeiramente chocante. Em anos típicos, podemos observar variações de cerca de 3 a 7% anualmente, mas ver quase metade da população reprodutora ausente é algo sem precedentes. Isso representa aproximadamente 53 mil fêmeas desaparecidas em toda a população da Geórgia do Sul”, diz o ecologista de focas Connor Bamford, principal autor do estudo, publicado no jornal Communications Biology.

Para chegar a esses números, os cientistas utilizaram imagens aéreas das três maiores colônias de reproduçãode elefantes-marinhos-do-sul da Geórgia do Sul. Em algumas delas, o declínio das fêmeas chegou a 60%.

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“O que torna isso particularmente preocupante é que os elefantes-marinhos-do-sul são animais longevos. Mesmo quedas de curto prazo na produção reprodutiva ou na mortalidade da população reprodutora terão impactos de longo prazo na estabilidade da população. As consequências desse surto provavelmente serão sentidas por muitos anos”, acrescenta Bamford.

Gripe aviária reduz em quase 50% número de fêmeas de elefantes-marinhos na ilha da Geórgia do Sul
Em algumas colônias, houve um declínio de 60% das fêmeas reprodutoras
Foto: Steve Gibbs / BAS

O mesmo surto de gripe aviária também atingiu elefantes-marinhos na Península Valdés, na Patagônia Argentina. Lá a previsão de especialistas é que a recuperação possa demorar um século. Segundo a Wildlife Conservation Society (WCS), 95% dos filhotes nascidos em 2023 foram vítimas da influenza aviária de alta patogenicidade.

Já se sabe que, embora inicialmente a gripe aviária só fosse transmitida entre aves, sobretudo as aquáticas, o vírus também infecta mamíferos. Na América do Sul, onde estima-se que mais de 500 mil aves morreram só em 2023, também foram documentados óbitos entre lobos-marinhos.

O vírus H5N1 é altamente contagioso. Poucos dias após a contaminação, os sintomas já ficam visíveis, como paralisia e inchaço de partes do corpo, e vários órgãos param de funcionar. O sistema neurológico é comprometido e os animais começam a apresentar tremores. A taxa de mortalidade chega a 90%.

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Foto de abertura: Connor Bamford, BAS

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