Greta Thunberg se une à Human Act e UNICEF em campanha para salvar e proteger as crianças vulneráveis durante a crise do coronavírus

A ativista sueca Greta Thunberg que, em 2018, conquistou jovens – adultos e crianças –, em diversos países, com seu ativismo solitário, em frente ao parlamento sueco, e mobilizou milhares de pessoas em torno da emergência climática, transformou-se em uma voz poderosa pelas causas urgentes, sempre pautada pela Ciência, pela justiça e pela solidariedade. Pelo futuro.

Por isso, em abril, aliou-se à ONG dinamarquesa Human Act para apoiar a campanha de financiamento lançada pela UNICEF com o intuito de salvar e proteger crianças vulneráveis de todo o mundo durante a pandemia do coronavírus: Let’s Move Humanity for Children in the Fight Against Coronavirus (em tradução livre, Vamos mudar a humanidade das crianças na luta contra o coronavírus).

Neste período, em que precisamos ficar isolados para evitar o contágio e a disseminação do vírus, elas sofrem ainda mais com a escassez de alimentos, a violência, a falta de atendimento de saúde e o apoio da escola. “À medida que as escolas fecham, muitas crianças perdem a possibilidade de aprender porque não têm acesso à educação digital. Mas não só isso: elas também perdem sua fonte de nutrição diária, água e saneamento“, disse no vídeo da campanha, que você pode assistir no final deste vídeo.

Para dar início à iniciativa, a Fundação Greta Thunberg e a Human Act doaram, juntas, US$ 200 mil. Metade desse valor – US$ 100 mil – se refere ao prêmio que a ativista recebeu dessa ONG no Dia Mundial da Terra, 22/4, como reconhecimento por seu ativismo global.

“Como a crise climática, a pandemia também é uma crise de direitos da criança“, destaca ela, “porque as crianças são as mais vulneráveis ​​nas sociedades“. Por isso, peço a todos que se unam a mim para apoiar o trabalho vital da UNICEF para salvar a vida dessas crianças, proteger a saúde e dar continuidade à educação”.

“A pandemia de coronavírus é a maior luta que o mundo já viu em gerações”, destaca Henrietta Fore, diretora executiva da UNICEF. “Crianças e jovens estão entre os mais afetados pelos efeitos indiretos da COVID-19, portanto, é natural que Greta e a Human Act desejem fazer algo a respeito. Através de seu ativismo, Greta provou que os jovens estão prontos para se posicionar e liderar a mudança no mundo. Nossa organização está muito satisfeito por ela e seus apoiadores terem escolhido não apenas se posicionar contra essa pandemia, mas fazê-lo em parceria com a UNICEF”.

Os recursos obtidos com a campanha estão e continuarão sendo aplicados em programas de emergência da organização para combater a COVID-19, como o fornecimento de kits de higiene (sabão incluído) e equipamentos de proteção como máscaras e luvas, além de disseminar informações e apoiar os sistemas de saúde.

Uma campanha para disseminar informações, de acordo com o cenário vivido por cada grupo, também está sendo ampliada. “Estamos falando de lavar as mãos e ficar em casa, mas muitas pessoas no mundo não têm acesso à água potável ou ao saneamento básico”, destaca Greta, que continua: “Elas podem nem ter uma casa para seguir as recomendações da OMS para ficar em casa”.

Além disso, ainda há muita desinformação porque “muitas pessoas nem percebem que têm sintomas e podem espalhar o vírus sem nem mesmo saber. “Portanto, temos que explicar que todos precisam ter cuidado extra, porque nossas ações podem ser a diferença entre vida e morte para muitos outros”.

As maiores vítimas da pandemia

Este mês, a ONU divulgou relatório alertando que as crianças correm o risco de estar entre as maiores vítimas da pandemia da COVID-19. Embora, elas não sejam os principais grupos-alvo do vírus, há casos confirmados entre elas e também de vítimas fatais. E Greta ainda observa: “As crianças pegam o vírus e também o espalham”.

Mas, para além desse cenário, a crise tem afetado profundamente o bem-estar geral dos pequenos, independente de faixa etária, devido aos impactos socioeconômicos e, em alguns casos, às medidas de mitigação implementadas para conter a propagação da doença. Por isso, é preciso trabalhar urgente para garantir que serviços essenciais continuem sendo oferecidos a elas, “especialmente no hemisfério sul, onde vivem as pessoas mais pobres do mundo e em zonas de conflito e campos de refugiados“, destaca a ativista.

Estas são as ações apontadas como emergenciais pela UNICEF:
acesso e disponibilidade de suprimentos e serviços essenciais para crianças, mulheres e populações vulneráveis;
– ampliação de mensagens sobre a correta lavagem das mãos com sabão’;
– apoio a governos na aquisição de equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde, incluindo aventais, luvas e máscaras, bem como ventiladores (chamados de respiradores) e medicamentos;
– apoio a oportunidades de ensino à distância para crianças que não têm computador e podem ir à escola;
– prover saúde mental e apoio psicossocial às crianças e famílias afetadas; e
– ajudar a manter a imunização essencial e outros serviços para crianças.

Pandemia, clima e meio ambiente

Apesar dos impactos que vieram com o coronavírus, em todo o mundo, Greta disse à CNN International que vê um lado positivo: “As pessoas estão começando a perceber que, na verdade, estamos dependendo da Ciência e que precisamos ouvir cientistas e especialistas. E eu realmente espero que isso continue e se aplique a outras crises, como a crise climática e a crise ambiental“.

E finaliza: “Agora todos devemos agir juntos para proteger as crianças e acabar com as conseqüências devastadoras do coronavírus. As crianças são o futuro e devem ser protegidas. Então, faça o que puder e apoie esta nova campanha”.

Agora, assista abaixo ao vídeo que gravou para a campanha da UNICEF, divulgado no perfil da organização no Instagram e também no Youtube:

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Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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