Greta Thunberg estampa selo postal sueco que celebra sua trajetória e integra campanha ambiental do governo

Greta Thunberg tinha dezesseis anos quando iniciou sua jornada como ativista climática. Ainda sem saber que assim seria. Foi em agosto de 2018, quando decidiu faltar às aulas para protestar em frente ao parlamento sueco pela inação dos políticos e das empresas no combate às mudanças climáticas. Exibia um cartaz escrito à mão (abaixo)

Ninguém imaginava – nem ela! – que sua atitude tão focada a transformaria em uma das personalidades mais interessantes e importantes da atualidade, no mundo, principalmente quando o assunto é clima.

Ativista sueca Greta Thunberg e movimento milhões de jovens pelo clima ganham prêmio da Anistia Internacional

Agora, quase três anos depois – e já com 18 anos completados em 3 de janeiro – Greta estampa um selo postal sueco como reconhecimento por seu engajamento, que visa “preservar a natureza única da Suécia para as gerações futuras”.

Ilustrado por Henning Trollbäck e intitulado Valuable Nature (Natureza Valiosa, em tradução livre), ele mostra a ativista retratada em pé no topo de um penhasco rochoso vestindo sua indefectível capa de chuva amarela (que a acompanhou em diversos protestos; veja o dele do desenho e a foto abaixo), bem acompanhada por andorinhas voando.

O novo selo foi lançado em 14 de janeiro, quinta-feira passada, ao preço de 12 coroas suecas (US $ 1,40) cada, e integra a série de 16 objetivos de qualidade ambiental recentemente elaborados pelo governo sueco, que destaca habitats designados como prioritários para proteger a natureza – como um pântano, uma floresta, uma paisagem agrícola, entre outros -, revelou o serviço postal nacional, PostNord, em comunicado.

“Estamos satisfeitos que Greta, esteja representada em nossos selos, entre várias ilustrações que retratam a natureza”, declarou Kristina Olofsdotter, chefe da divisão de selos da PostNord. “Esses lugares naturais são muito importantes e todos nós precisamos fazer a nossa parte para preservá-los”. E acrescentou: “Esperamos que possamos iluminar a questão climática com a ajuda de um pequeno selo”.

Jornada pra lá de inspiradora

Como disse, no início deste texto, Greta não fazia muita ideia do que iria acontecer a partir de seu protesto. Estava focada em protestar e em ser ouvida e chamou a atenção dos suecos.

Não demorou muito para que, já em 2018, a garota que fazia greve às sextas-feiras conquistasse corações e mentes de jovens de diversos lugares do mundo, resultando no surgimento de um movimento climático – Fridays for Future. Adultos e até crianças aderiram a ele também. E o Brasil não ficou de fora.

Por aqui, Temer estava em seu último ano de mandato e as eleições do final de ano elegeriam Bolsonaro. Mal sabíamos o que teríamos que enfrentar e que o Brasil se desviaria completamente dos compromissos nos anos anteriores. Mas essa é uma outra história. Vamos à Greta!

A ativista ganhou diversos prêmios, como o da Anistia Internacional. Também doou prêmios como o Prix Liberté – de 100 mil reais -, que repassou para ONGS ambientais e quando foi a grande vencedora da primeira edição do prêmio Gulbenkian para a Humanidade, de Portugal, no valor de 1 milhão de euros (6 milhões de reais).

Do total, destinou 100 mil euros (aproximadamente 600 mil reais) para a iniciativa SOS Amazônia (promovida pelo Fridays for Future Brazil), que combate a COVID-19 na região. Também recusou prêmio oferecido por países nórdicos, dizendo que “Não precisamos de mais prêmios, mas que ajam de acordo com a Ciência!”.

Coerente com seu ativismo, Greta não faz uso de transportes que emitem gases de efeito estufa. Por isso, cruzou o oceano Atlântico num veleiro para conhecer movimentos e iniciativas pelo clima nas Américas e participar da convenção climática da ONU, que se realizaria no Chile.

Visitou indigenas Sioux e recebeu nome Lakota. Devido aos conflitos sociais que explodiram naquele país, a convenção foi transferida para a Espanha. E lá foi Greta, de volta ao continente europeu, desta vez a bordo de um catamarã. Chegou a tempo de participar da Greve do Clima local e da convenção da ONU.

Cientista britânico batizou um besouro com o nome de Greta, em sua homenagem. Virou personagem guerreira nas aventuras em quadrinhos de Asterix. Gravou música com banda britânica convocando para uma rebelião pelo clima.

Em 2019, a adolescente foi eleita personalidade do ano pela revista Time, que também a incluiu entre os dez jovens mais influentes do mundo ao lado do brasileiro David Miranda. No mesmo ano, foi incluída em lista das 15 mulheres que lideram a luta contra as mudanças climáticas e ainda foi nomeada Changer of The Year pela revista britânica GQ.

Um de seus discursos mais emocionados – realizado na convenção climática da ONU em 2019, nos EUA – foi remixado pelo produtor britânico Fatboy Slim.

Antes de terminar o ano, Greta foi incluída na lista da revista cientifica Nature, que destaca as personalidades que fizeram a diferença na ciência. O brasileiro Ricardo Galvão que, meses antes, foi exonerado da direção do INPE por Bolsonaro, também fez parte dessa lista.

Este também foi um ano de encontros inspiradores com o ator e ativista Leonardo di Caprio e a ativista em educação Malala Yousafazai.

Greta participou de diversos encontros com governos e empresários como o Fórum Econômico de Davos em janeiro de 2020. Nesse periodo, criou uma fundação para promover a sustentabilidade climática, ecológica e social e integrou a lista das 30 pessoas mais interessantes da atualidade.

Se uniu a ONGS em campanha para salvar e proteger crianças vulneráveis durante a crise do coronavírus. Se uniu a inúmeros jovens pelo mundo para pedir a proteção da Amazônia. E foi indicada duas vezes ao Nobel da Paz: em 2019 e 2020.

Estes são apenas alguns dos acontecimentos que registramos aqui, no site. Abaixo, uma das primeiras imagens de Greta quando cabulou as aulas para protestar. Inspiradora, a garota, né?

Imagem (destaque): Henning Trollback / Divulgação Postnord

Fotos: reproduções do Facebook de Greta Thunberg

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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