Graças a projeto de reintrodução, após 150 anos, a raríssima grande borboleta azul volta à paisagem da Inglaterra

Graças a projeto de reintrodução, após 150 anos, a raríssima grande borboleta azul volta à paisagem da Inglaterra

A última vez que uma “Large Blue butterfly” (Grande borboleta azul) foi vista em 1870. A espécie Phengaris arion é considerada a maior e mais rara da Inglaterra. A envergadura de suas asas chega a 5 cm. Infelizmente, ela foi extinta. Ou melhor, estava extinta.

Uma parceria entre sete organizações e entidades britânicas da área de conservação permitiu que, nesse último verão, as borboletas azuis voltassem a voar pelos campos de Rodborough Commons, em Gloucestershire, área rural a pouco mais de 150 km da capital Londres.

No ano passado, foram colocadas 1.085 larvas da grande borboleta azul na região. E no último dia 27 de maio, foi observada a presença da primeira Phengaris arion adulta, após 150 anos. Outras 750 já foram registradas.

Mas a reintrodução da espécie envolveu muita pesquisa. Foram cinco anos de trabalho. As grandes borboletas azuis depositam seus ovos nas flores de duas plantas selvagens: manjerona e tomilho. Os pesquisadores se certificaram então que havia abundânica de ambas em Rodborough Common.

Depois disso, eles descobriram a curiosa e fundamental relação entre a borboleta azul e um tipo específico de formiga vermelha, a Myrmica sabultei. As lagartas da primeira exalam feromônios com um cheiro muito parecido com os das larvas das formigas. Por causa disso, estas últimas acabam os carregando para seu ninho.

Todavia, o que elas não sabem é que as lagartas de borboletas se alimentam das lagartas das formigas.

Graças a projeto de reintrodução, após 150 anos, a raríssima grande borboleta azul volta à paisagem da Inglaterra

Uma borboleta fêmea fotografada em Rodborough Commons

Para David Armstrong, um dos maiores legados da reintrodução bem-sucedida é a força do trabalho conjunto para reverter o declínio das espécies ameaçadas e os benefícios que as melhorias de habitat terão para outras plantas e insetos nas áreas comuns.

“Criar as condições certas para que esta borboleta globalmente ameaçada não apenas sobreviva, mas também prospere, foi o culminar de muitos anos de trabalho. Nada disso teria sido possível sem os esforços combinados de conservacionistas e criadores de gado locais”, afirma o especialista, chefe da guarda florestal e gerente de projetos paisagísticos da Stroud.

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Fotos: divulgação National Trust/Brian Cleckner e Sarah Meredith

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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