Graças à persistência de biólogos, filhote de pantera perdido encontra mãe, após uso de armadilhas com câmeras ao vivo

Graças à persistência de biólogos, filhote de pantera perdido encontra mãe, após uso de armadilhas com câmeras ao vivo

pantera (Puma concolor coryi) é o último grande felino da costa leste americana. Ameaçada de extinção, hoje estima-se que, no estado da Flórida, restem apenas cerca de 230 indivíduos. Por isso mesmo, quando se encontra um filhote perdido é preciso fazer todo o possível para mantê-lo na vida selvagem e perto de sua mãe, responsável por ensiná-lo a como sobreviver sozinho na natureza.

E foi isso mesmo que as equipes do Fish & Wildlife Foundation da Florida, White Oak Conservation e Naples Zoo fizeram. Encontrou-se a pequena pantera, com cerca de quatro meses, sozinha. Enquanto o animal foi levado para o hospital do zoológico para que se pudesse ter certeza que estava bem, começou a busca pela mãe na região onde ele tinha sido achado no Parque Nacional de Everglades.

Pesquisadores e veterinários usaram cobertores com o cheiro do filhote para tentar atrair a fêmea. Mas nada. Decidiu-se então pela transferência do filhote para o White Oak Conservation, um centro especializado no cuidado e reintrodução de panteras. Todavia, o local ficava a mais de 600 km de distância – 14 horas de viagem. Mesmo assim, optou-se por levar o animal até lá.

Entretanto, neste meio tempo, imagens de armadilhas fotográficas revelaram a presença de uma pantera adulta nas imediações de onde o filhote tinha aparecido. O que se fazer? Mais 14 horas de viagem de volta para trazê-lo de volta.

Durante a noite, o filhote foi então colocado numa pequena jaula, fechada, com câmeras de vídeo filmando. A ideia era que, assim que a mãe retornasse, ele fosse solto. Seu cheiro e miado serviriam para atraí-la. Mas uma, duas noites e nada…

Até que, na terceira noite, viva, viva! A mãe surgiu e os dois se reencontraram.

“O que é preciso para reunir um filhote de pantera com sua mãe? Instintos maternos, biólogos, cuidadores, veterinários, paciência, persistência e colaboração!”, comemorou o Naples Zoo at Caribbean Gardens em suas redes sociais.

Dias após o reencontro, mãe e filhote foram flagrados em imagens novamente. A panterinha recebeu um colar de monitoramento para que se possa ter certeza que ele está bem e saudável. Em breve, o aparelho se soltará automaticamente do seu pescoço.

*Com informações da Fish & Wildlife Foundation of Florida

Curiosidades sobre a pantera da Flórida

– A pantera é uma das duas espécies de felinos selvagens encontradas na Flórida. O lince (Lynx rufus) é a outra;
– Panteras podem saltar mais de 4 metros e podem correr 55 km por hora em curtas distâncias;
– Os machos pesam entre 45 e 70 kg e podem ter 2,10 metros de comprimento. Suas caudas podem ter quase dois terços do comprimento do corpo;
– Ao nascer, os filhotes pesam pouco mais de 200 gramas. Isso é menos do que um gato doméstico com um mês de idade;
– Porcos selvagens, veados-de-cauda-branca e guaxinins constituem 70% da dieta de uma pantera;
– Apenas 12 a 20 panteras existiam no início dos anos 1970 na Flórida.

Graças à persistência de biólogos, filhote de pantera perdido encontra mãe, após uso de armadilhas com câmeras ao vivo

O filhotinho mostrando seus dentes

Fonte: The Nature Conservancy

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Fotos: Naples Zoo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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