Governo exonera presidente do ICMBio e não há indicação de novo nome para o cargo

Governo exonera presidente do ICMBio e não há indicação de novo nome para o cargo

*Atualizado às 16h55

Foi publicado hoje no Diário Oficial da União a exoneração do presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), Homero de Giorge Cerqueira – coronel da Polícia Militar de São Paulo e ex-comandante do Policiamento Ambiental do estado.

Cerqueira foi nomeado em abril de 2019 e assumiu o lugar de Adalberto Eberhard, que pediu demissão do órgão depois que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez uma visita ao Parque Nacional da Lagoa do Peixe (RS) e ameaçou abrir processo administrativo contra servidores que não teriam comparecido ao evento em que ele estava.

A exoneração de Cerqueira foi assinada pelo ministro chefe da Casa Civil da Presidência da República, Walter Souza Braga Netto. Todavia, ainda não há indicação de um substituto para o cargo.

Como mostramos aqui em reportagem de maio deste ano, desde que tomou posse no ICMBio, Cerqueira substituiu funcionários de carreira e especialistas em meio ambiente por policiais militares em chefias do instituto.

O órgão responsável por administrar as 334 Unidades de Conservação do país sofre com o sucateamento: há redução de pessoal e de coordenações regionais e nomeações de pessoas não capacitadas para cuidar do meio ambiente e da biodiversidade do Brasil.

Em entrevistas exclusivas com servidores obtidas pelo Conexão Planeta, eles relatam que a “lei da mordaça” está em vigor e que não há mais nenhuma forma de diálogo. Analistas lamentam anos de esforços perdidos. “A destruição ocorre da maneira mais perversa: acabando com a instituição por dentro”, desabafam (leia mais aqui).

“O coronel Homero foi o pior presidente da história do ICMBio, no pior governo para a área ambiental da história do país. Sua gestão foi pautada pelo desmonte e pelo enfraquecimento do órgão, com o objetivo único de prejudicar o meio ambiente. Qualquer que tenha sido a razão de sua demissão, o fato é que o projeto do governo para o instituto e para as áreas protegidas do país é passar boi e boiada. E isso não vai mudar”, afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, rede de organizações da sociedade civil, que atua para o progresso do diálogo, das políticas públicas e processos de tomada de decisão sobre mudanças climáticas no país e globalmente.

Segundo a agência de notícias Reuters, a saída de Cerqueira se deve a “desacordo com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre a atuação da agência no combate aos incêndios no Pantanal, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto”.

Salles teria criticado a atuação do ICMBio para conter as queimadas em conversas com fazendeiros da região, o que teria incomodado o agora ex-presidente do órgão.

“Esse presidente (do ICMBio) só fez coisas estranhas. Na hora que tem um ato em defesa dos brigadistas no Pantanal, é mandado embora. Foi exonerado por fazer a coisa certa”, diz um servidor do instituto, que prefere ter o nome mantido em anonimato. “Mas a possibilidade de melhoras com o Salles é nula”.

O número de queimadas nos primeiros dias de agosto já supera aquelas de julho inteiro no Pantanal do Mato Grosso.

Durante a campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro expressou a vontade de unir o Ibama e o ICMBio, intenção criticada por ambientalistas e servidores das duas instituições.

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Governo exonera presidente do ICMBio e não há indicação de novo nome para o cargo

  • 23 de agosto de 2020 em 12:35 PM
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    Uma inversão de valores desastrosa nesse nosso apocalipse brasileiro porque pessoas boas estão saindo enquanto outras menos boas permanecem, acrescidas das que estão chegando com indefinidas virtudes e qualidades, sem falar na pandemia que jamais deveria ter chegado, mas chegou, também para nos testar a paciência nesse pandemonio que tem dia e hora de acabar, mas parece eterno e longe de Deus, mas não está.

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