Governo Bolsonaro é alvo de protestos em defesa da Amazônia e dos povos indígenas pelo mundo

De 28 a 30/8, o movimento Fridays For Future (iniciado por Greta Thunberg em 2018) promove uma onda de ações globais, presenciais e digitais, reunindo estudantes, famílias e ambientalistas em várias cidades do mundo contra o governo Bolsonaro. O motivo: a situação crítica da Amazônia.

São três os enfoques principais desses protestos, daí os três dias: incêndios na floresta; Acordo Mercosul-União Europeia, que pode aumentar ainda mais a destruição do bioma; e a aprovação de lei que permite a invasão e o desmatamento em terras indígenas.

Hoje, cerca de 17% da Amazônia já foi desmatada; se chegarmos a 20 ou 25%, mais da metade da floresta poderá virar uma savana. E a questão é que o desmatamento só aumenta, como temos noticiado. Neste ano, somente em julho, foram detectados cerca de 6.803 incêndios na florestas, o que representa 28% a mais do que em julho do ano passado. Nos primeiros 10 dias de agosto, foram detectados 10.136 novos incêndios!

Ratificar o Acordo Mercosul-UE, enquanto os níveis de desmatamento sobem pode representar uma vitória para Bolsonaro, além de um sinal de que a UE não se importa com a floresta. Então, para acabar com o desmatamento da Amazônia, os líderes europeus devem congelar o acordo.

Por último e não menos importante, resta Bolsonaro e sua sanha para explorar a Amazônia e as terras indígenas a qualquer custo. Ele quer aprovar uma lei que permita o desmatamento em terras indígenas. As terras protegidas pelos povos indígenas têm uma biodiversidade maior que qualquer outra região da Amazônia e protegê-la é crucial para defender os defensores!

Mesmo antes de ganhar as eleições presidenciais, ele já dizia de seu interesse em explorar a Amazônia. Em Davos, no início deste ano, em mais um episódio vexatório para o Brasil, quando Al Gore (ambientalista, ex-vice-presidente dos Estados Unidos) lhe disse estar preocupado com a Amazônia, ele disse que deseja explorar com essas terras com os Estados Unidos.

Os protestos

As manifestações presenciais serão realizadas apenas nas cidades que forem seguras, ou seja, com baixos índices de contaminação por Covid-19. Na maioria dos casos, as mobilizações acontecerão somente nas redes sociais. Mas, onde for possível ir para as ruas, os manifestantes prometem se concentrar em frente a embaixadas e consulados, ou seja, em frente aos prédios da representação brasileira, como em Toronto, no Canadá, e em Madri, na Espanha.

Em Milão, Lisboa, na Finlândia, Turquia e Aústria, por exemplo, haverá um dia inteiro de protestos. Neste último país, os manifestantes transformarão os muros de uma catedral em tela para projetar imagens da floresta. Só na Alemanha, cerca de 20 cidades organizam eventos a partir de hoje.

Os belgas escolheram o acordo entre a União Europeia e o Mercosul como tema dos protestos. Por isso, entidades como Rise for Climate Belgium, Citizen Mobilization to Save Humanity e Clean Walker Belgique, entre outras, vão pedir, diante do Conselho Europeu e da Comissão Europeia, para que o tratado comercial não seja assinado. Deputados europeus confirmaram presença e inúmeras pessoas formarão imagens e slogans sobre a Amazônia com seus corpos.

Vale lembrar que, na semana passada, a Alemanha – que é a força motriz da UE e um dos países promotores do acordo – sinalizou que pode não ratificá-lo.

O jornalista Jamil Chade contou, em sua coluna no UOL, que “depois de 20 anos de negociações, o acordo entre o Mercosul e a UE foi assinado em meados de 2019 e comemorado por Brasília como um sinal claro de que sua administração é aceita pelo mundo. O tratado também era uma espécie de chancela ao Itamaraty, em busca de um reconhecimento internacional. Mas, para entrar em vigor, todos os 27 países da Europa precisam ratificar o tratado. Por enquanto, parlamentos da Áustria, Holanda e Bélgica já deram sinais de resistência”. Não dá pra “passar pano”, né?

Em meados de 2019, devido aos incêndios na floresta amazônica, o governo Bolsonaro foi alvo de duras críticas em todo o mundo. Agora, são os jovens ativistas – que iniciaram o movimento mundial Fridays For Future, impulsionados por Greta Thunberg – que prometem dedicar estes dias de “greve” à Amazônia e convidam todos a participar.

Tuitaços e panelaços

Nos três dias, às 11h (horário de Brasília), serão realizados tuitaços internacionais. Veja a programação:

  • hoje, 28/8, o enfoque foi para os incêndios na Amazônia e a situação dos povos indígenas; o movimento Fridays For Future Brasil sensibilizou seus seguidores com dados alarmantes sobre a Amazônia, adotando as hashtags #SOSAmazonia #DefendTheDefenders #AmazonFires;
  • No sábado, 29/8, a proposta é concentrar os tweets em dados sobre desmatamento e no Acordo da União Europeia com o Mercosul, e fazer perguntas aos líderes europeus, usando as hashtags #SOSAmazônia #WeAreWatchingYou #StopEuMercosur.
    Os ativistas sugerem que todos desenhem olhos nas palmas das mãos, tirem uma foto e postem em nas redes sociais, usando a hashtag #WeAreWatchingYou. “Isso é pra mostrar que estamos de olhos nos líderes da União Europeia e não vamos permitir o financiamento de mais desmatamento”, destacam nas orientações;
  • No domingo, 30/8, último dia da “greve”, o foco é nos líderes sul-americanos. Objetivo: marcá-los no Twitter e fazer perguntas para pressioná-los, sempre usando as hashtags: #SOSAmazônia #WeAreWacthingYou.

Um panelaço também faz parte da programação dos três dias, mas não tem data e hora pra acontecer. O convite diz: “vá até sua janela no horário que preferir, faça o panelaço enquanto grita frases do tipo como “Salvem a Amazônia”, “Estamos de olho em você”, “Fora Bolsonaro”, “Fora Salles” e “Encarem a crise climática”.

Mas a ideia é que todos gravem o panelaço (mesmo que esteja sozinho) e enviem para @fridaysforfuturebrasil (nas redes sociais). Os organizadores compilarão todos os vídeos para criar um único para divulgação.

Siga os movimentos Fridays For Future e Fridays For Future Brasil.

Foto: FridaysForFuture/Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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