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Artistas, intelectuais, advogados e juristas pedem a Lula que rompa relações com Israel por genocídio em Gaza

Artistas, intelectuais, advogados e juristas pedem a Lula que rompa relações com Israel por genocídio em Gaza

Um grupo de artistas e intelectuais – entre eles, judeus -, enviou carta (que reproduzimos, na íntegra, neste post) ao presidente Lula para solicitar que o Brasil rompa relações com Israel devido ao genocídio que o país vem promovendo na Faixa de Gaza (também na Cisjordânia) há quase oito meses, desde outubro de 2023.

Após agradecerem a solidariedade de Lula ao povo palestino, eles destacam que “o Brasil tem apresentado seguidas propostas para o cessar fogo na Faixa de Gaza e a solução de dois Estados estabelecida por resoluções internacionais”. E que “graças ao seu governo, somos uma das nações que reconhecem, no âmbito das Nações Unidas, a soberania e a independência da Palestina”.  

Declaram que, “sob uma liderança de sua envergadura”, o Brasil pode contribuir para o fim dessa “carnificina insuportável”. 

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Comentam sobre a “crescente violência imposta pelo governo Netanyahu, com ataques desumanos e cruéis contra civis” e seu desrespeito ao Conselho de Segurança e a Assembleia Geral da ONU”. 

Ao se referirem ao “desprezo de Netanyahu à ética humanitária”, lembram do ataque a um acampamento de deslocados em Rafah, no sul de Gaza, quando matou, pelo menos, 45 palestinos carbonizados (a maioria crianças, mulheres e idosos).

Essa foi uma das respostas desumanas de Israel a decisões do Tribunal Penal Internacional

E lembro, aqui, que não são só drones, mísseis e tiros que matam os palestinos. Hoje, no 237º dia do genocídio do povo palestino, o bebê Fayes Abu Ataya, de sete meses, morreu devido à grave desnutrição e falta de medicamentos. A Federação Árabe Palestina divulgou a notícia em seu Instagram. Outros 20 bebês palestinos já morreram de fome devido aos bloqueios dos comboios humanitários e também aos ataques de colonos judeus, que são extremistas, aos caminhões que aguardam permissão para entrar em Gaza.

Quem assinou

A carta é assinada por 43 pessoas:
– artistas como Gilberto Gil, Chico Buarque, Emicida e Wagner Moura;
– escritores e intelectuais como Milton Hatoum, Raduan Nassar. Jessé Souza, Arlene Clemesha e Heloísa Vilela
– advogados e juristas como Pedro Serrano, Carol Proner, Juarez Tavares e Antônio Carlos de Almeida Castro; e 
– ex-ministros governos diversos como Luiz Carlos Bresser-Pereira, Paulo Vannuchi, José Dirceu, Paulo Sérgio Pinheiro, Eleonora Menicucci Eugênio Aragão.

Entre os signatários também estão intelectuais de origem judaica como Anita Leocádia Prestes(filha de Olga Benário Prestes, que estava grávida dela quando foi entregue aos nazistas por Getúlio Vargas), o professor Bruno Huberman e o jornalista Breno Altman, bastante combativo nas redes sociais e debates sobre Gaza.

A seguir, leia a carta na íntegra e saiba quem assinou:

Carta aberta ao presidente Lula sobre o genocídio do povo palestino

Estimado presidente Lula,

Antes de mais nada, queremos saudá-lo por seu comportamento sempre firme e coerente em solidariedade ao povo palestino, denunciando reiteradamente o genocídio do qual é vítima, especialmente suas mulheres e crianças.

O Brasil tem apresentado seguidas propostas para o cessar fogo na Faixa de Gaza e a solução de dois Estados estabelecida por resoluções internacionais. Graças ao seu governo, somos uma das nações que reconhecem, no âmbito das Nações Unidas, a soberania e a independência da Palestina.

No entanto, a crescente violência imposta pelo governo Netanyahu, com ataques desumanos e cruéis contra civis, obriga o mundo a ir além de gestos e propostas diplomáticas, como já debatem diversos países da União Europeia e outras regiões.

O governo Netanyahu viola abertamente deliberações emanadas da Corte Internacional de Justiça, colocando-se à margem do direito, além de desrespeitar o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral da ONU. 

Recentes ataques contra um acampamento de deslocados em Rafah, no sul de Gaza, com dezenas de inocentes assassinados, demonstram claramente inaceitável desprezo à ética humanitária.

Estamos convencidos, querido presidente, que é hora de nosso país se juntar às demais nações que romperam relações diplomáticas e comerciais com o Estado de Israel, exigindo o cumprimento das decisões que colocam fim ao genocídio e garantem a autodeterminação do povo palestino.

Essas medidas, adotadas por nosso país e sob uma liderança de sua envergadura, certamente serviriam de exemplo a outros governos e constituiriam uma imensa contribuição para que se encerre essa carnificina insuportável”.

Amanda Harumy
Anita Leocadia Prestes
Antônio Carlos de Almeida Castro
Arlene Clemesha
Berenice Bento
Breno Altman
Bruno Huberman
Carol Proner
Cézar Brito
Chico Buarque
Eleonora Menicucci de Oliveira
Emicida
Eugênio Aragão
Francirosy Campos Barbosa
Gilberto Gil
Heloísa Vilela
Jamal Suleiman
Jessé Souza
João Pedro Stédile
Jones Manoel
José de Abreu
José Dirceu
José Genoíno
Juliana Neuenschwander
Juarez Tavares
Kenarik Boujikian
Larissa Ramina
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Luiz Carlos da Rocha
Manoel Caetano Ferreira Filho
Manuella Mirella
Margarida Lacombe
Marly Vianna
Milton Hatoum
Nathalia Urban
Ney Strozake
Paulo Borba Casella
Paulo Nogueira Batista Jr.
Paulo Sérgio Pinheiro
Paulo Vannuchi
Pedro Serrano
Reginaldo Nasser
Salem Nasser
Ualid Rabah.

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Foto (destaque): montagem com imagens de divulgação ou reproduções do Instagram 

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