Vida que nasce e prospera, graças a programas de conservação como o do Projeto Harpia, que envolve mapeamento e monitoramento de ninhos, conscientização ambiental e coleta de dados científicos não apenas dessa espécie, a maior ave de rapina do Brasil, mas também de outras de gaviões, como essa linda família de gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus).
O registro feito pelas câmeras do projeto mostra um filhotinho de apenas três dias, ao lado da mãe vigilante, em um ninho na Reserva Água Doce, localizada no município de Cacoal, em Rondônia. Antes disso, já tinha sido documentado outro instante mágico.
“A câmera de monitoramento gravou o momento exato do rompimento do ovo, o filhote com a cabeça para fora, mas ainda dentro da casca”, conta Carlos Tuyama, coordenador do Núcleo Rondônia do Projeto Harpia.
Segundo ele, esse ninho já é monitorado desde 2020. Outros dois filhotes já nasceram ali. “Quando descobrimos o ninho pela primeira vez havia um filhote de mais ou menos 8 meses, depois vimos outro nascer e dispersar e agora o terceiro irmão”, revela.
Também conhecido como apacamim, impacanim, urutaurana, apacanim-pinima, apacanim-de-penacho, gavião-tucano, papa-tucano, gavião-calçado, o gavião-de-penacho mede entre 58 e 67 cm e as fêmeas são mais pesadas do que os machos. Na cabeça tem uma coroa imponente de penas pretas.
Além de se alimentar de outras aves, como araras, papagaios e tucanos, a espécie também tem como presas pequenos répteis, roedores e mamíferos.
Embora possa ser encontrado em quase todas as regiões do Brasil, com exceção da Caatinga e do extremo sul do país, o gavião-de-penacho precisa de florestas bem conservadas para sobreviver, por isso nas últimas décadas tem encontrado mais dificuldade para se reproduzir.
“Ele é uma das cinco espécies de águias florestais brasileiras, muito rara e vulnerável”, diz Tuyama. “Muitos a consideram a mais bela das nossas águias”.
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Foto de abertura: Projeto Harpia / Carlos Tuyama






Simplesmente lindo. Gosto de predadores.
Gavião de penacho – Pié! Pié! Pié!
Minha mãe pegava a mãozinha de uma criança e virava suavemente com o dorso para cima e ao mesmo tempo colocava a mão de outra criança por cima desta pedindo que ela beliscasse-a com os dedos em forma de pinça. E assim, criança por criança íamos construindo uma pilha de mãozinhas – cada uma beliscando a outra.
Feito isso, cantava-se: gavião de penacho Pié! Pié! Pié! – gavião de penacho Pié! Pié! Pié! – Em determinado momento, a um sinal, desmanchava-se a pequena torre de mãos e, cada criança, rindo, tentava beliscar a barriguinha da outra.
Hoje de manhã saí para o quintal nos fundos de casa e ouvi um gavião de penacho cantar no alto de um pinheiro: Pié! Pié! Pié! – imediatamente veio à tona a gostosa lembrança dessa brincadeira e a recordação daqueles que nos deixaram há muito tempo. Há muito tempo.
eloi zanetti
Que relato lindo, Eloi!
Memórias afetivas da infância aliadas à natureza.
Abraço,
Suzana