Fundação de Bill Gates doa U$ 250 milhões para compra de testes, medicamentos e vacinas anti-COVID em países pobres

Fundação de Bill Gates doa U$ 250 milhões para compra de testes, medicamentos e vacinas anti-COVID em países pobres

Mais uma vez, a fundação criada pelo casal Melinda e Bill Gates mostra sua preocupação e comprometimento com o bem daqueles mais vulneráveis no planeta. Ontem (09/12), a Gates Foundation anunciou a doação de mais US$ 250 milhões para o combate ao novo coronavírus em países mais pobres.

É de conhecimento geral que as nações mais ricas conseguirão comprar o maior volume de doses da vacina anti-COVID, e por isso, Melinda e Bill Gates se preocupam com o acesso dos países com menos recursos à imunização de sua população.

O Reino Unido foi o primeiro país da Europa Ocidental a começar a vacinar seus habitantes, na última terça-feira (leia mais aqui). Ontem o Canadá fez a aprovação emergencial da vacina produzida pelo laboratório farmacêutico americano Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech (a mesma sendo utilizada pelos britânicos). Os Estados Unidos devem decidir hoje se também aprovam o produto e quando iniciam a vacinação.

Além da vacina da Pfizer, outras duas empresas farmacêuticas buscam aprovação, a americana Moderna e anglo-sueca AstraZeneca, que tem a parceria científica da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

“Mas a situação é muito diferente para a maioria dos seres humanos que vivem em países de renda baixa e média, que incluem lugares como o Sudão do Sul ao Peru. Nesses países, a cadeia de suprimentos não começou a funcionar. Poucos acordos foram fechados com empresas farmacêuticas e as previsões para o fornecimento de vacinas são baixas. Do jeito que as coisas estão agora, esses países só conseguirão cobrir no máximo 20% de sua população, de acordo com as projeções da nossa fundação”, afirmou Mark Suzman, CEO da Bill & Melinda Gates Foundation.

Suzman lembra que a fundação foi criada, logo em seu início, para ajudar na imunização de milhões de crianças ao redor do mundo (assista ao vídeo de Bill Gates ao final deste texto).

“Será que 2021 realmente será assim, com vacinas, medicamentos e testes indo principalmente para os lugares mais ricos? Ou a ciência que salva vidas estará disponível para todos, independentemente de localização ou renda? Nossa fundação tem uma perspectiva clara de qual deve ser a resposta”, ressaltou o CEO da organização.

Em fevereiro, como contamos nesta outra reportagem, a fundação já havia doado US$ 100 milhões para combater o novo coronavírus e proteger as populações de maior risco, na África e na Ásia.

Os US$ 250 milhões anunciados esta semana serão destinados à compra de testes, medicamentos e vacinas contra a COVID-19.

No total, este ano, a fundação investiu U$ 1,75 bilhão em ações para combater a pandemia.

“Graças à engenhosidade da comunidade científica global, estamos alcançando os avanços médicos necessários para acabar com a pandemia”, comentou Bill Gates. “Temos novos medicamentos e mais vacinas em potencial do que poderíamos esperar no início do ano. Mas essas inovações só salvarão vidas se forem disponibilizadas a todos no mundo”.

Investimentos devem continuar em 2021

Em seu comunicado, o CEO da da Bill & Melinda Gates Foundation alerta que serão necessários mais investimentos ainda em pesquisa e desenvolvimento de novos tratamentos e vacinas em 2021. Sabe-se, por exemplo, que o imunizante desenvolvido pela Pfizer não é o ideal para a logística dos países mais pobres. A vacina precisa ser mantida em temperatura baixíssima, -70oC, o que exige a existência de refrigeradores especiais.

Um novo estudo do Eurasia Group revela que o acesso justo às vacinas contra a COVID-19 não beneficiará apenas as nações de baixa renda; mas também as dez maiores economias do mundo.

“Todos, em todos os lugares, merecem se beneficiar da ciência desenvolvida em 2020”, diz Melinda Gates. “Estamos confiantes de que o mundo ficará melhor em 2021, mas se ficará melhor para todos depende das ações dos líderes mundiais e de seu compromisso em entregar testes, tratamentos e vacinas às pessoas que precisam deles, não importa onde vivem ou quanto dinheiro elas têm”.


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Foto: The Henry Ford’s OnInnovation Project/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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