Fotógrafo Joel Sartore clica imagem 10 mil para arquivo digital de animais que podem ser extintos

Fotógrafo Joel Sartore clica imagem 10 mil para arquivo digital de animais que podem ser extintos

O Leopardus guigna tigriillo é o menor felino selvagem das Américas. Pesando menos de 3 kg, Pikumche é um gato, encontrado em florestas tropicais do Chile e também, em algumas da Argentina. Tem a metade do tamanho de um gato doméstico e é bastante arisco.

A fotografia do gato-chileno, como é conhecido, é um marco importante de um projeto que começou em 2005: a Arca de Noé da Extinção, uma iniciativa do renomado fotógrafo Joel Sartore, em parceria com a National Geographic Society, sobre o qual eu já tinha escrito aqui no Conexão Planeta, neste outro texto, em 2016.

Autor de diversos livros, palestrante, professor e ambientalista, o premiado fotógrafo americano é colaborador de revistas como TimeLife, NewsweekSports Illustrated, além da National Geographic.

Ao longo dos últimos 15 anos, Sartore registrou espécies consideradas em risco de extinção. Ele viajou para mais de 40 países para criar um arquivo global de imagens da biodiversidade na Terra.

Todos os animais fotografados estão em cativeiro, onde ambientalistas trabalham para tentar salvar estes últimos indivíduos e poder garantir que tenham alguma chance para se reproduzir e desta maneira, aumentar o número de indivíduos da própria espécie. Só nos Estados Unidos, Sartore esteve em mais de 200 zoológicos e aquários.

Fotógrafo Joel Sartore clica imagem 10 mil para arquivo digital de animais que podem ser extintos

O arisco gato-chileno

Listado como vulnerável na Lista Vermelha, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de milhares de espécies de animais e plantas no planeta, o gato-chileno agora marca a 10.000a imagem feita pelo fotógrafo.

Sartore acredita que estão completos dois terços da Arca da Extinção, na qual ele pretende incluir ainda retratos de 15 mil espécies nos próximos dez anos.

“Uma vez concluído, será um registro importante da biodiversidade da Terra e um poderoso testemunho da importância de proteger as espécies estranhas e maravilhosas que tornam nosso planeta único”, destaca o profissional.

Fotógrafo Joel Sartore clica imagem 10 mil para arquivo digital de animais que podem ser extintos

O Leopardus guigna tigrillo marca a 10.000ª espécie fotografada por Sartore

O banco de dados digital possui todos os tipos de animais, como aves, peixes, mamíferos, anfíbios e répteis. Sempre sobre fundos em preto e branco, Sartore faz todas as criaturas em pé de igualdade, fazendo com que um besouro-tigre pareça tão grande quanto um tigre.

“Temos muito mais trabalho pela frente”, diz Sartore. “Este é um marco emocionante. Através do Photo Ark, fomos capazes de destacar a importância de espécies que, de outra forma, não receberiam a atenção que merecem. Neste Dia Mundial das Espécies Ameaçadas de Extinção, convidamos todos a refletir sobre o que cada um pode fazer para proteger nosso planeta e as espécies que nele vivem”.

A população do gato-chileno foi reduzida devido à degradação do habitat, doenças emergentes causadas por gatos, mortes por vingança por predação de aves e atropelamentos.

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Apesar de ameaçado, organizações ambientais do Chile trabalham para proteger a espécie. O gato-chileno fotografado por Joel Sartore ficou órfão aos dez dias de idade. A mãe foi morta por predadores. Desde então, o filhote foi cuidado pela equipe da Fauna Andina, um centro de reabilitação de animais silvestres. O objetivo da entidade é sempre devolver esses bichos para seu habitat natural.

*Com informações da National Geographic Brasil

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Fotos: Joel Sartore

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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