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Fóssil de réptil do Rio Grande do Sul, que viveu há 230 milhões de anos, é capa da Nature

Fóssil de réptil do Rio Grande do Sul, que viveu há 230 milhões de anos, é capa da Nature

“Um esqueleto parcial bem preservado do novo Venetoraptor Gassenae oferece uma compreensão melhor no crânio e na ecologia dos precursores dos dinossauros e pterossauros”. É assim que a renomada revista científica Nature apresentou hoje, em seu site, a descoberta de uma nova espécie de réptil, a partir de fragmentos fósseis, encontrada no Brasil, mais especificamente, em São João do Polêsine, no Rio Grande do Sul.

Acredita-se que esse réptil, que teria vivido há 230 milhões de ano, tivesse cerca de 1 metro de comprimento e pesava entre 4 e 8 kg. Além disso, possuía características incomuns, como um bico raptorial, que deveria ser usado para pegar suas presas, e mãos proporcionalmente grandes, munidas de garras longas e afiadas, talvez utilizadas escalar árvores.

“O animal locomovia-se adotando uma postura bípede, tendo as mãos livres para manusear presas ou escalar árvores”, dizem os paleontólogos envolvidos na descoberta.

A descrição da nova espécie foi feita por um grupo de pesquisadores de diferentes países, entre eles, o paleontólogo e coordenador do Centro de Apoio a Pesquisas Paleontológicas da Universidade Federal de Santa Maria, Rodrigo Müller, principal autor do estudo.

Em 2022, eles acharam 50 fragmentos do animal, como partes do crânio, bico e fêmur. Fizeram então a reconstituição de seu esqueleto.

“Eles tinham uma diversidade morfológica muito maior do que se imaginava. Então a gente derruba aquela ideia de que os precursores são animais simples, fadados à extinção. A gente viu que existe uma diversidade muito maior e que precisamos explorar mais, para encontrar mais exemplares e completar esse quebra-cabeça evolutivo”, disse Müller em entrevista ao portal G1.

Fóssil de réptil do Rio Grande do Sul, que viveu há 230 milhões de anos, é capa da Nature

A capa da Nature com o fóssil brasileiro

Segundo os envolvidos na descoberta, o Venetoraptor Gassenae pertence a um grupo extinto chamado de Lagerpetidae. “Esses animais são considerados os parentes mais próximos dos pterossauros, os répteis voadores que dividiram a Terra com os dinossauros”, explicam.

O nome científico escolhido para batizar o novo réptil brasileiro tem relação com o lugar onde foi descoberto – Venetoraptor significa o raptor do Vale Vêneto, em referência à localidade turística chamada de Vale Vêneto em São João do Polêsine. Já gassenae é uma homenagem à Valserina Maria Bulegon Gassen, uma das principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia.

Fóssil de réptil do Rio Grande do Sul, que viveu há 230 milhões de anos, é capa da Nature

O paleontólogo Rodrigo Müller, com a reconstrução do esqueleto do venetoraptor
(Foto: divulgação CAPPA/UFSM)

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Imagem de abertura: Caio Fantini/CAPPA/UFSM

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