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Fóssil de 265 milhões de anos, do maior e mais antigo predador da América do Sul, é descoberto no Rio Grande do Sul

Fóssil de 265 milhões de anos, do maior e mais antigo predador da América do Sul, é descoberto no Rio Grande do Sul

Muito antes do apogeu da Era dos Dinossauros, outros animais gigantescos e carnívoros andavam pela Terra. Entre eles estava o Pampaphoneus biccai, com estimados 3 metros de comprimento e cerca de 400 kg. O fóssil dessa criatura, um dinocefálio que viveu há 265 milhões de anos, foi descoberto numa área rural de São Gabriel, no Rio Grande do Sul e acaba de ganhar uma descrição oficial pela ciência.

Segundo os paleontólogos envolvidos na análise dos restos fósseis, o Pampaphoneus biccai foi o maior e mais antigo predador da América do Sul, tanto que recebeu o apelido de “Matador dos Pampas”.

Durante as escavações, os pesquisadores do Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) encontraram o crânio completo e partes do esqueleto do animal, além de costelas e ossos das patas.

“O fóssil foi encontrado em rochas do Permiano médio, em um local onde os ossos não são tão comuns, mas que sempre guarda gratas surpresas. Encontrar um fóssil como esse envolve sempre muito esforço. A coleta demorou um mês de trabalhos quase diários em campo. Depois disso, por conta da pandemia, foram necessários mais três anos para a limpeza do fóssil e seu estudo completo”, revela Mateus Costa Santos, autor principal do artigo científico publicado há poucos dias no Zoological Journal of the Linnean Society.

O Matador dos Pampas se alimentava provavelmente de outros animais de pequeno e médio portes. Era um predador hábil. Segundo os pesquisadores, ele viveu pouco antes da maior extinção ocorrida na Terra, há 250 milhões de anos, quando quase 90% de toda a vida no planeta teria sido dizimada.

“O Pampaphoneus desempenhava o mesmo papel ecológico dos atuais grandes felinos. Ele possuía dentes caninos grandes e afiados, adaptados à captura de presas. Sua dentição e arquitetura do crânio nos sugere que a mordida era forte o suficiente para mastigar ossos, assim como fazem as hienas de hoje em dia”, afirma o paleontólogo Felipe Pinheiro. 

O fóssil do crânio do Matador do Pampas
(Foto: Cadinho Andrade)

O estudo de análise do fóssil foi uma parceria entre cientistas do Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Universidade de Harvard (EUA).

“O novo Pampaphoneus e todos os outros animais encontrados na região mostram o potencial do Pampa gaúcho para grandes descobertas paleontológicas. É importante que estes fósseis permaneçam depositados em instituições próximas ao local da descoberta, como é o caso da Unipampa”, ressalta Pinheiro. “Os fósseis, além de atrair o interesse para a Ciência, possuem um importante papel na identidade local, no turismo e na geoconservação”.

Outras espécies de Pampaphoneus já foram descobertas na África do Sul e Rússia, mas pouco comuns em outras regiões do planeta. No Brasil, o Matador dos Pampas é a única espécie conhecida até hoje.

*Com informações e entrevistas fornecidas pela Universidade Federal do Pampa

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Ilustração de abertura: Márcio L. Castro

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