Forças Armadas voltarão a realizar operações contra o desmatamento na Amazônia

Forças Armadas voltarão a realizar operações contra o desmatamento na Amazônia

O vice-presidente Hamilton Mourão, que comanda o Conselho da Amazônia, afirmou na última sexta-feira (11/06) que será realizada uma nova etapa da chamada Operação Verde Brasil, de combate ao desmatamento e a crimes ambientais na floresta.

Entre 2019 e 2021 o governo federal enviou as tropas das Forças Armadas para atuar na Amazônia. A última operação foi em abril deste ano. Mas agora, segundo Mourão, uma nova fase se iniciará talvez ainda esta semana.

O vice-presidente revelou que a ação terá duração de dois meses, com um custo estimado de R$ 50 milhões. Aguarda-se apenas a confirmação no Diário Oficial da União.

“Ontem [quinta-feira] conversei com ele [Bolsonaro], ele autorizou. Nós estamos fechando o planejamento, falei com ministro Paulo Guedes, o recurso é em torno de R$ 50 milhões para fazer isso aí pelos próximos dois meses, ele disse que isso não é problema. Então, agora precisa fechar onde vai ser a principal áreas de operações”, disse Mourão em entrevista no Palácio do Planalto.

A presença do Exército na Amazônia foi bastante criticada por servidores do próprio governo e também, por organizações da sociedade civil. Cálculos indicaram que o custo de dois meses da operação das Forças Armadas na região foi quase o dobro do orçamento anual do Ibama para fiscalização. E há um questionamento sobre a eficácia e os resultados das mesmas e se esses recursos não seriam melhor empregados no fortalecimento dos órgãos de proteção ambiental. “Não adianta ter o Exército dois meses na Amazônia e nos outros dez do ano decretos incentivando o desmatamento”, diz Márcio Astrini, do Observatório do Clima.

A primeira etapa da ação, a Operação Verde Brasil 1, aconteceu entre 24 de agosto e 24 de outubro de 2019, e tinha como objetivo combater incêndios florestais e crimes ambientais.

De acordo com dados oficiais*, foram empregados 9.772 militares das Forças Armadas, 14 aviões, 467 viaturas, 23 helicópteros e 159 embarcações. O resultado do esforço teria sido a prisão de 127 pessoas, apreensão de 23 mil metros cúbicos de madeira, 26 mil litros de combustível, 178 embarcações e 112 veículos.

custo aos cofres públicos dos dois meses da operação foi de quase R$ 125 milhões.

Para se ter uma ideia de quão alto é este valor, o orçamento anual do Ibama para o trabalho de fiscalização no Brasil inteiro é de R$ 70 milhões.

Em 11 de maio de 2020 começou a Operação Verde Brasil 2, com duração inicialmente programada para um mês, e valor estimado de R$ 60 milhões.

Mesmo com o altíssimo custo, a presença dos militares na Amazônia não evitou o aumento do desmatamento – um levantamento divulgado na semana passada apontou que a cada segundo, 24 árvores foram derrubadas no Brasil em 2020.

De acordo com relatos de profissionais do Ibama, o instituto apenas obedece ordens e possui um papel de submissão, mesmo tendo todo o conhecimento técnico sobre o controle do desmatamento e a maneira como autuações aos mais diversos tipos de crimes ambientais devem ser feitas.

Um outro ponto levantado também sobre as operações do Exército é em relação à queima de maquinários, assunto polêmico para o governo, já que Bolsonaro se mostra veemente contra a prática.

Todavia, especialistas afirmam que em alguns lugares não há outra forma de conter a derrubada da floresta sem destruir tratores, escavadeiras e máquinas agrícolas, os principais responsáveis pelo deflorestamento de maior impacto.

*Com informações do site Governo do Brasil

Leia também:
Operação ‘Verde Brasil’: qual o real resultado desta ação militar para a proteção da Amazônia?

Pelo quarto mês seguido, Amazônia tem alta no desmatamento: salto foi de 40% em maio

Foto: divulgação/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta