Fogo dá breve trégua, mas queimadas no Pantanal crescem mais de 200% em relação a 2019

Fogo dá breve trégua, mas queimadas no Pantanal crescem mais de 200% em relação a 2019

*Atualizado em 01/09/20

A frente fria que chegou ao Brasil e trouxe baixas temperaturas e chuva para diversas regiões do país no final de semana ajudou a diminuir a intensidade das queimadas no Pantanal, mas não foi suficiente para conter os incêndios.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 1º de janeiro a 20 de agosto de 2020, foram detectados 8.058 focos de calor no Pantanal, alta de 205% ante o mesmo período de 2019.

Os primeiros 20 dias deste mês já são responsáveis por 47,6% das queimadas registradas no ano inteiro neste bioma. Os municípios onde a situação é mais grave são Poconé, no Mato Grosso, e Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

Desde janeiro, 940 mil hectares do Pantanal matogrossense já foram destruídos pelo fogo.

Infelizmente não há previsão de chuva para as próximas semanas na região. Depois de um período extremamemente seco nos últimos meses, os meteorologistas afirmam que a média esperada a partir de agora será menor do que a de anos anteriores.

O nível do rio Paraguai é o mais baixo das últimas duas décadas.

“Choveu pouco em 2020. O Pantanal vive uma das piores secas dos últimos 47 anos”, afirma Júlio Cesar Sampaio, líder da Iniciativa Pantanal do WWF-Brasil.

Segundo ele, além da questão climática, ações humanas têm contribuído para o processo de degradação do bioma. Muitos incêndios ocorridos nas últimas semanas tiveram início em queimadas feitas para a limpeza de roçados ou pastagens, apesar da proibição decretada pelo governo federal.

“Com a seca severa que estamos vivendo, esse problema se intensifica”, alerta Sampaio. “O Pantanal é o grande tesouro da América do Sul, único no planeta. É a maior área úmida continental do mundo. Rico em biodiversidade e em serviços ecossistêmicos, seja pela produção de água ou pela captura de CO2. Todavia, a má gestão e o descaso, sem dúvida, trazem perdas enormes para as comunidades tanto do Brasil quanto dos países que compartilham o bioma”, lamenta.

Morte de animais

Desde o dia 20 de julho, o Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Mato Grosso já resgatou 108 animais silvestres, vítimas dos incêndios.

Infelizmente, muitos bichos são achados em estado grave. É o caso de uma anta, encontrada em Poconé, com queimaduras graves no corpo. Apesar do trabalho de primeiros socorros dos veterinários, ela não resistiu.

Fogo dá breve trégua, mas queimadas no Pantanal crescem mais de 200% em relação a 2019

A anta resgatada dos incêndios acabou morrendo

Uma onça-pintada também está sendo tratada no Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres (Cempas), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. A fêmea teve todas as patas queimadas. Há suspeita ainda que tenha inalado fumaça dos incêndios.

O animal está em estado grave, sendo medicado com soro e antibióticos.

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Onça-pintada sendo socorrida por veterinários

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Fotos: Silvio Andrade/Fotos Públicas (abertura), divulgação Polícia Militar (anta) e Willian Gomes / Secomm UFMT/Fotos Públicas (onça-pintada)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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