Focos de queimada no Pantanal no início de julho já superaram os registrados no mês inteiro de junho

Focos de queimada no Pantanal no início de julho já superaram os registrados no mês inteiro de junho

Os incêndios que devastaram quase 30% do Pantanal em 2020 foram um dos piores da história do bioma brasileiro. Uma análise feita por pesquisadores após a tragédia apontou um número assustador: quase 17 milhões de animais vertebrados foram mortos diretamente pelo fogo (leia mais aqui)

Considerado a maior planície alagável do planeta, o Pantanal sempre teve um período anual de seca, no inverno, quando chove menos, e que em geral acontecia entre maio e setembro. Todavia, nos últimos anos, ele tem se tornado mais intenso e em algumas ocasiões, começado mais cedo ou durado mais tempo.

Agora em julho, especialistas já estão em alerta. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em junho foram detectados 111 focos de incêndio no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Entretanto, apenas na primeira semana deste mês, já foram registrados 128 focos no bioma.

O Instituto SOS Pantanal também usou suas redes sociais para demonstrar preocupação há poucos dias. “Infelizmente os incêndios no Pantanal sul começaram de vez e estão ganhando força. O Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, na região entre Miranda e Corumbá, no Mato Grosso do Sul, está com focos de incêndio desde 25 de maio. Até então a situação estava sob um certo controle, mas nos últimos dias o tempo seco e os ventos fortes deram força ao fogo que segue se espalhando rapidamente. O Corpo de Bombeiros do MS e a equipe da #BrigadaPantaneira Fazendinha já estão com combatentes na linha de frente, mas a situação segue preocupante. Até o momento, estimamos que mais de 28 mil hectares foram consumidos pelo fogo”.

Recentemente, a novela da Rede Globo, Pantanal, chamou a atenção dos brasileiros sobre a ameaça dos incêndios. Em um capítulo emocionante, em que o personagem do Velho do Rio chora, desesperado, foram usadas imagens do desastre de 2020.

Abaixo algumas cenas muito tristes registradas pelo cineasta e documentarista Lawrence Wahba e que fazem parte do longa “Jaguaretê Avá: Pantanal em Chamas”, disponível na plataforma Globoplay:


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Foto de abertura: Daniel de Granville (onça-pintada com incêndio no fundo/2020)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.