“Floresta Racionada”: documentário denuncia impacto da pecuária sobre animais no Mato Grosso

"Floresta Racionada": documentário denuncia impacto da pecuária no Mato Grosso sobre animais

O Mato Grosso é o único estado a ter três dos principais biomas do Brasil: Amazônia, Cerrado e Pantanal, uma condição única. Todavia, ao mesmo tempo que abriga essa biodiversidade tão distinta, ele também é o maior produtor de grãos do país, concentrando 30% do cultivo nacional. Só em 2022, a safra foi estimada em 90 milhões de toneladas de milho e soja.

O impacto dessa atividade intensiva sobre o meio ambiente e a fauna da região é o tema central do minidocumentário “Floresta Racionada”, uma parceria entre a organização não-governamental de jornalismo investigativo Repórter Brasil e a Proteção Animal Mundial.

Tendo como base um relatório da Repórter Brasil divulgado no fim do ano passado, o curta-metragem de pouco mais de 13 minutos ouve especialistas, que falam sobre como a pecuária está transformando o habitat de centenas de espécies, algumas em perigo crítico de extinção, como é o caso do zogue-zogue do Mato Grosso, só encontrado no estado e em nenhum outro lugar do mundo, justamente na área conhecida como Arco do Desmatamento.  

“Quando o meio ambiente sofre uma degradação, nós sofremos também”, afirma Elaine Dione, professora médica veterinária da Universidade Federal do Mato Grosso, e uma das profissionais entrevistadas para o minidocumentário.

Foi ela que deu os primeiros cuidados ao Xamã, que aparece na imagem que abre este post. O filhote de onça-pintada foi resgatado sozinho, numa propriedade particular na região de Sinop. Ele tinha cerca de dois meses, estava desnutrido e desidratado. Acredita-se que tenha se perdido da mãe, já que um incêndio florestal de grandes proporções havia ocorrido naquela área (leia mais sobre sua história aqui)

Elaine explica que, quando não morrem nas queimadas – muitas delas provocadas de propósito para transformar a floresta em pasto -, muitos animais acabam tendo consequências irreversíveis. Alguns jamais serão devolvidos à vida livre e precisarão ficar para sempre em cativeiro.

Além da médica veterinária, o curta conta ainda com a participação do sociólogo Ricardo Abramovay, do coordenador técnico do MapBiomas Marcos Rosa e do biólogo do Instituto Ecótono Gustavo Canale.

“Para além de alertar o público sobre os impactos socioambientais decorrentes desse processo, como o desmatamento ilegal e o desrespeito a comunidades tradicionais, o filme tem por objetivo central denunciar a crueldade no tratamento dispensado aos animais”, diz a Proteção Animal Mundial. “E isso engloba não só os animais silvestres vítimas de queimadas, por exemplo, mas também aves, suínos e bovinos criados em condições absolutamente questionáveis para alavancar um dos principais setores do agronegócio nacional”.

Confira abaixo “Floresta Racionada” na íntegra:

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Foto de abertura: divulgação Proteção Animal Mundial

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Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.