Florada antecipada das cerejeiras nos Estados Unidos e no Japão é novo alerta sobre o aquecimento global

Florada antecipada das cerejeiras nos Estados Unidos e no Japão é novo alerta sobre o aquecimento global

A primavera é sempre um período do ano muito celebrado nos países do Hemisfério do Norte. Após o frio intenso e os dias cinzas de um longo inverno, as cores das flores trazem um sopro de esperança por dias mais quentes. Ainda mais quando é uma primavera em tempos de pandemia. Poder estar do lado de fora novamente, mesmo vestindo máscara e respeitando o distanciamento social, já é um alívio. E tanto no Japão, como nos Estados Unidos, a florada das cerejeiras é um marco da estação.

Todavia, nestes dois países o desabrochar antecipado dessas flores fez soar um sinal de alerta nos cientistas que estudam as mudanças climáticas. Para eles, a florada que acontece mais cedo a cada ano, é um claro indício do aumento da temperatura da superfícil da Terra, o popular, aquecimento global.

Na capital americana, Washington D.C., a florada é sempre muito aguardada. Milhões de pessoas visitam a cidade para ver de perto as 3.800 cerejeiras, que se tornam moldura para alguns dos principais monumentos e memoriais do país (leia mais aqui).

Florada antecipada das cerejeiras nos Estados Unidos e no Japão é novo alerta sobre o aquecimento global

As cerejeiras em volta do Memorial a Martin Luther King,
em Washington D.C.

De acordo com o National Park Service, agora em 2021, o pico da florada, quando pelo menos 70% das cerejeiras da espécie Yoshino estão em flor, ocorreu seis dias mais cedo do que há 100 anos. Já a temperatura está 1,6oC mais alta do que um século atrás para esta época do ano.

“As cerejeiras Yoshino atingiram o pico de floração depois que temperaturas bem acima da média durante grande parte da semana passada aceleraram seus estágios finais de desenvolvimento. Os quatro dias do alongamento do pedúnculo ao pico são os mais rápidos que as árvores se moveram nas duas últimas fases nos últimos 30 anos”, informou o National Mall & Memorial Parks.

A expectativa inicial era que o pico seria entre a semana de 2 a 5 de abril, mas ele aconteceu no dia 28 de março.

O mesmo fenômeno foi registrado no Japão, de onde as cerejeiras americanas são originárias. Em Quioto, a “sakura”, como ela é chamada por lá, desabrocharam totalmente em 26 de março, o mais cedo dos últimos 1,2 mil anos, de acordo com informações da Universidade da Prefeitura de Osaka.

A capital Tóquio registrou um pico ainda antes, no dia 22 de março.

Florada antecipada das cerejeiras nos Estados Unidos e no Japão é novo alerta sobre o aquecimento global

A espécie de cerejeira Yoshino

No ano passado, já havia sido notado que a primavera chegou quatro semanas antes em algumas regiões dos Estados Unidos.

Além da pandemia, 2020 também entrou para a história pelas temperaturas recordes e a previsão é que 2021 siga o mesmo ritmo.

Leia também:
Milhões de pessoas ficam sem energia e água no Texas devido à intensa nevasca, associada com aquecimento do Ártico
A pandemia não ajudou a reduzir gases de efeito estufa da atmosfera, diz relatório
Potencial devastador dos furacões está cada vez maior com o aquecimento global

O ‘novo normal’: chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e mortes

Fotos: reprodução Facebook National Mall and Memorial Parks

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta