
Durante muitas décadas, Parauapebas, no sudeste do Pará, ficou mais conhecida por sua riqueza mineral. Foi na década de 60 que se descobriu na região a maior jazida de minério de ferro do mundo, na Serra dos Carajás. Vinte anos depois, surgia ali o que foi considerado então o maior garimpo a céu aberto que já existiu, Serra Pelada, que chegou a atrair cerca de 100 mil pessoas enlouquecidas em busca de ouro, deixando para trás um rastro de impactos ambientais e sociais.
Foi só no final dos anos 80 que o povoado de Parauapebas, que em tupi-guarani significa “rio de águas rasas”, conquistou a emancipação e tornou-se um município. E em 1998 a região ganhava outro importante marco, a criação da Floresta Nacional de Carajás, uma unidade de conservação federal, com quase 400 mil hectares (há outras quatro UCs que compõem o chamado Mosaico de Carajás)
Na Flona Carajás a riqueza não é ouro, nem ferro ou manganês. São espécies da fauna e flora amazônicas. Só de anfíbios foram registradas ali 68 espécies, 74% delas endêmicas do bioma. Número ainda superior é o de répteis: 131 espécies, 55% exclusivas da Amazônia.
Um levantamento realizado em 2012 revelou ainda que 594 espécies de aves podem ser observadas nessa floresta nacional, entre elas, a maior de rapina do Brasil, a harpia (Harpia harpyja) e a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), ameaçada de extinção.
Entre os mamíferos de médio e grande porte, a Flona Carajás é lar de onças-pintadas (Panthera onca), preguiças (Bradypus variegatus), tamanduás (Tamandua tatradactyla) e o guariba-de-mãos-ruivas (Alovatta belzebul).

Algumas das milhares de espécies que vivem na Floresta Nacional de Carajás
Foto: Fauna da Floresta Nacional de Carajás
E dentre as espécies de plantas, há uma lindíssima flor, de cor vermelho escarlate, que só existe nessa floresta paraense e em nenhum outro lugar do mundo. Fruto dos campos rupestres ferruginosos, a flor de carajás (Ipomoea cavalcantei) é classificada como “em perigo” de extinção, segundo a Lista Vermelha Oficial do Brasil.
Agora essa bela flor se tornou o símbolo oficial de Parauapebas, após aprovação de um projeto de lei, por unanimidade, na Câmara Municipal.
“Atualmente, o município de Parauapebas busca incentivar e desenvolver o ecoturismo como matriz econômica alternativa do futuro. Precisamos divulgar nossas belezas naturais, pois assim, além de preservar nossas riquezas naturais, também iremos gerar emprego e renda”, disse a vereadora Eliene Soares, autora do projeto de lei.

A flor de carajás, um tesouro único da Amazônia
Foto: Renato Resende / Ascom 2022
*Com informações do estudo Fauna da Floresta Nacional de Carajás, ICMBioe Prefeitura de Parauapebas
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Foto de abertura: Alysson de Sousa / ICMBio





É preciso chamar atenção para ações de preservação do bioma. Uma flor linda como essa não pode se perder em meio à ganância da exploração mineral.