Filme dirigido por Morzaniel Ɨramari, primeiro cineasta indígena Yanomami, pode representar o Brasil no Oscar

Filme dirigido por Morzaniel Ɨramari, primeiro cineasta indígena Yanomami, pode representar o Brasil no Oscar

O documentário de curta-metragem Mãri hi – A Árvore do Sonho (assista ao trailer no final deste post), dirigido por Morzaniel Ɨramari com Davi Kopenawa, ambos da etnia Yanomami, foi selecionado para a pré-lista do IDA Awards – International Documentary Association, onde concorre à categoria de Melhor Curta. 

Além de ser o único filme brasileiro a participar deste que é um dos eventos mais prestigiados do mundo no gênero documental, figurar nessa lista pode levar o filme a disputar o tão cobiçado Oscar. Isto porque o IDA Awards é considerado como uma “porta de entrada” para a mais famosa premiação do cinema no mundo.

Mas tem mais: o curta percorreu diversos festivais brasileiros e, no É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, ganhou o prêmio de Melhor Curta-Metragem, o que também pode ajudar no caminho ao Oscar, visto que este é um festival reconhecido pela Academia.

A obra de Ɨramari também foi premiada no 51º Festival de Gramado 202 (melhor fotografia e Prêmio Especial do Júri), na Mostra Cinema de Inclusão do FicValdivia -Festival Internacional de Cine de Valdivia (Chile), Festival Guarnicê (São Luís do Maranhão), de Vitória e de Goiânia, além de ter participado do Kinoforum (um dos mais tradicionais de São Paulo) e da seleção oficial do Festival de Veneza, e do Sheffield Doc Fest, no Reino Unido.

Caso Mãri hi seja indicado para disputar o Oscar, será a primeira vez que um filme dirigido por um indígena representará o Brasil na premiação. 

Antes disso, de 6 a 11 de novembro, o curta de Ɨramari será exibido nos cinemas da Academia, em Los Angeles, durante o 15th Hollywood Brazilian Film Festival, juntamente com outras produções brasileiras que também lutam por uma indicação ao Oscar: Retratos Fantasmas, de Kleber Mendonça Filho (diretor de O Som ao Redor, Aquarius, Bacurau),Incompatível com a Vida, de Eliza Capai (que dirigiu O Jabuti e a Anta), e Big Bang, de Carlos Segundo.

Sonho Yanomami

Mãri hi foi realizado na casa coletiva de Watorikɨ, na região do Demini, na Terra Indígena Yanomami (TIY) – situada nos estados de Roraima e Amazonas – e “nos convida a uma imersão na poética e nos ensinamentos dos povos da floresta pelas palavras do grande xamã Yanomami (Davi Kopenawa)”, destaca o ISA, que apoia o projeto. 

A sinopse indica que “quando as flores da árvore Mãri desabrocham, surgem os sonhos. E, nesta narrativa, as palavras de Kopenawa – a linguagem e as escolhas audiovisuais – nos conduzem a uma experiência sensorial e onírica por meio da sinergia entre o cinema e o sonho yanomami”.

“O filme vai ajudar a fazer com que não-indígenas conheçam o povo Yanomami, conheçam as nossas imagens e comecem a pensar junto com os Yanomami para defender a terra e melhorar a saúde do nosso povo”, conta Ɨramari no site do Instituto Socioambientaal (ISA).

“Espero que todos possam defender o povo Yanomami, nos ajudar a viver em paz, livres de invasores e com boa saúde”, conclui.

Projeto ‘A Queda do Céu’

Mãri hi – A Árvore do Sonho é uma produção Aruac Filmes, com coprodução da Hutukara Associação Yanomami e produção associada da Gata Maior Filmes.

O filme integra o projeto A Queda do Céu, que contempla a produção de um longa-metragem livremente inspirado na obra homônima de Davi Kopenawa e Bruce Albert.

O livro foi publicado originalmente em francês, em 2010, integrando a coleção Terre Humaine e lançado no Brasil, em português, no mesmo ano.

A seguir, assista ao trailer do documentário Mãri hi – A Árvore do Sonho:

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Com informações do ISA

Foto (destaque): divulgação Yanomami/Aruac Filmes

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Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.