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Filhote de ararinha-azul nascido em Curaçá é filmado em primeiro voo

Filhote de ararinha-azul nascido em Curaçá é filmado em primeiro voo

Em março, como contamos nesta outra reportagem, nasceram três filhotes de ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) no Refúgio de Vida Silvestre, em Curaçá, na Bahia, onde acontece o programa de reintrodução da espécie, declarada extinta na natureza nos anos 2000.

As ararinhas foram geradas por um casal de aves que nasceu em cativeiro, mas foi solto pelo projeto coordenado pela Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP).

Agora há poucos dias foram divulgadas imagens que mostram um dos filhotes já fora do ninho, ao lado dos pais, e dando seu primeiro voo. É um marco muito importante, pois é a primeira vez que se tem o nascimento de uma ave da espécie em vida livre, após mais de 20 anos, e que sobrevive aos primeiros meses de vida.

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“É um momento icônico, pois os filhotes estão começando a emplumar. Os pais fizeram um trabalho fantástico os criando até agora. E o primeiro filhote já saiu do ninho”, escreveu a ACTP em suas redes sociais. “Dá pra ver o primeiro filhote com os pais na árvore e também voando e o filhote mais cauteloso com a cabeça para fora do buraco do ninho.”

Fim da parceria com a ACTP

A boa notícia ocorre na semana seguinte ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) anunciar que o Brasil não irá renovar o acordo com a Association for the Conservation of Threatened Parrots, o criadouro de aves da Alemanha, que nos últimos cinco anos foi parceiro do governo no programa de reprodução e reintrodução da ararinha-azul em Curaçá.

Além de várias denúncias e polêmicas internacionais sobre a idoneidade do proprietário da ACTP, o ICMBio e o Ministério do Meio Ambiente foram pegos de surpresa, em 2023, ao serem alertados sobre o envio pelo criador alemão de 30 araras brasileiras – 24 ararinhas-azuis e quatro araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari), também endêmica e ameaçada de extinção -, para um zoológico da Índia, sem conhecimento ou autorização do governo brasileiro (leia mais aqui).

“A movimentação internacional dessas aves deve observar as normas da Convenção de Convenção de Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção – CITES. Ocorre que, em 2023, o governo brasileiro tomou conhecimento de transferências das ararinhas-azuis realizadas pela ACTP a outros países, sem o consentimento prévio e formal das autoridades brasileiras e envolvendo transações comerciais”, afirmou em nota o ICMBio ao Conexão Planeta em 22/05.

“Em virtude dessas questões e em linha com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o ICMBio não renovará o Acordo de Cooperação Técnica com a ACTP até que todos os fatos sejam plenamente esclarecidos e superados”, destacou o órgão.

Contudo, a ACTP seguirá atuando no centro da Bahia.

“As aves e as instalações de Curaçá (BA) continuarão sob responsabilidade da associação. E por parte do ICMBio não há nenhum impedimento de que continue com a reintrodução da espécie na natureza”, diz o instituto.

Ainda segundo o ICMBio, a população atual de ararinhas-azuis mantidas sob cuidados humanos no mundo todo, ou seja, em cativeiro, é de aproximadamente pouco mais de 300 indivíduos. Desse total, 200 estão com a ACTP, na Alemanha, 40 em Curaçá e 27 em São Paulo. As demais se encontram no zoológico Pairi Daiza, na Bélgica, e no Greens Zoological, Rescue and Rehabilitation Centre, na Índia.

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Foto de abertura: reprodução vídeo ACTP

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