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FIFA proíbe capitães de seleções da Europa a usar braçadeira “One Love”, com mensagem LGBTQ+

FIFA proíbe capitães de seleções da Europa a usar braçadeira "One Love", com mensagem contra a discriminação

Em mais uma decisão polêmica para coibir qualquer tipo de protestos ou demonstrações contra as leis do país sede da Copa do Mundo, o Catar, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) anunciou a proibição do uso das braçadeiras “One Love”, símbolo de uma campanha pela inclusão, contra a discriminação e de apoio à comunidade LGBTQ+.

As braçadeiras, que possuem um arco-íris, seriam usadas pelos capitães de sete seleções de países europeus: Inglaterra, País de Gales, Holanda, Alemanha, Suíça, Bélgica e Dinamarca.

A expectativa era se a Inglaterra, que estreou em campo na segunda (21/11) logo pela manhã, contra o Irã, teria o seu capitão, Harry Kane, desafiando a ordem da FIFA. Todavia, a federação afirmou que jogadores seriam penalizados, com um cartão amarelo, mesmo antes do início da partida, por não seguir a ordem da entidade.

“Deixamos claro como equipe, seleção e organização que queremos usar a braçadeira”, afirmou Kane no domingo.

Na semana passada, a federação internacional já tinha proibido a seleção da Dinamarca de usar uma camisa de treino com uma mensagem sobre os direitos humanos no Catar. A entidade alegou que o foco do evento é o futebol e não mensagens políticas (leia mais aqui).

Além da braçadeira, os atletas ingleses também querem usar a Copa do Mundo para demonstrar seu apoio às iranianas. Desde a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, que foi detida em setembro porque não usava o lenço na cabeça, o hijab, manifestações explodiram no país e mulheres clamam por liberdade.

Segundo a Agência de Notícias Reuters, os jogadores da Inglaterra prometem se ajoelhar logo no início do jogo pelas mulheres do Irã. No passado, eles fizeram o mesmo quando o americano George Floyd morreu em 2020 e uma onda de protestos contra o racismo se espalhou pelo mundo.

“É o que defendemos como equipe e temos feito por um longo período de tempo”, disse o técnico britânico Gareth Southgate a repórteres no domingo. “Sentimos que este é o maior (palco) e achamos que é uma declaração forte que vai dar a volta ao mundo para os jovens, em particular, verem que a inclusão é muito importante”.

Entretanto, hoje as sete seleções divulgaram uma nota conjunta declarando que deixarão de usar as braçadeiras.

“A FIFA deixou bem claro que imporá sanções esportivas se nossos capitães usarem as braçadeiras em campo. Como federações nacionais, não podemos colocar nossos jogadores em uma posição em que possam enfrentar sanções esportivas, incluindo cartões amarelos, por isso pedimos aos capitães que não tentem usar as braçadeiras nos jogos da Copa do Mundo… Estamos muito frustrados com a decisão da FIFA, que acreditamos ser sem precedentes… Nossos jogadores e treinadores estão desapontados – eles são fortes defensores da inclusão e mostrarão apoio de outras maneiras”, diz o texto.

A campanha “One Love” foi criada na Holanda e abraçada por outros times europeus.

“É uma mensagem importante que cabe no futebol: todos são iguais em campo e isso deveria acontecer em todos os lugares. Gostamos de propagar isso com OneLove. Nossa equipe já fez isso e é ótimo ver que outros países também estão se juntando a nós”, ressalta Virgil van Dijk, capitão da seleção holandesa.

A Copa do Mundo de Futebol do Catar está rodeada de polêmicas. Além do país sede ser conhecido pelas práticas de restrições aos direitos humanos, sobretudo de mulheres e pessoas LGBTQIA+ (a homossexualidade é considerada crime lá), denúncias foram levantadas sobre a morte de milhares de imigrantes durante a construção de estádios e outros projetos relacionados ao evento.

FIFA proíbe capitães de seleções da Europa a usar braçadeira "One Love", com mensagem contra a discriminação

A braçadeira com as cores do arco-íris:
símbolo contra a discriminação e pela inclusão

*Texto atualizado em 21/11/22 às 9h30

Leia também:
FIFA e Catar, país que sedia a Copa do Mundo, são alvos de denúncias de violações dos direitos humanos, mortes de migrantes e corrupção

Atrizes francesas cortam cabelo e usam redes sociais para apoiar protesto de mulheres no Irã

Imagens: divulgação campanha One Love

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