Feiras de economia solidária retomam atividades pelo país

A economia solidária é um dos setores que mais sofreram com a pandemia do coronavírus no Brasil. A comercialização da produção dos empreendimentos é realizada predominantemente por meio de feiras e pontos estratégicos, e o isolamento social determinou a suspensão dessas atividades.

Agora, no momento em que prefeituras e governos de estado começam a flexibilizar as regras de isolamento, as feiras começam aos poucos a retomar seu funcionamento, tendo para isso, claro, que se atentar a protocolos de segurança sanitária.

Rio de Janeiro

É o caso, por exemplo, do Circuito Rio Ecosol, que segue as medidas sanitárias estipuladas pelo governo municipal para a retomada das atividades: distanciamento, uso de máscara e disponibilidade de álcool gel ao público.

As feiras do Circuito Rio Ecosol estavam suspensas desde março e foram liberadas para retorno no final de agosto. São fonte de complementação de renda ou mesmo de sustento para muitas famílias. Mais de 200 empreendimentos estão cadastrados no Circuito. Ao todo, são realizadas 13 feiras mensais, distribuídas por vários pontos da cidade.

Também no estado do Rio de Janeiro, a cidade de Niterói decretou a retomada das feiras de artesanato da economia solidária no início de outubro. Para isso, os empreendedores passarão por um treinamento dos protocolos de segurança sanitária definidos pela vigilância epidemiológica.

Em 2019, a cidade inaugurou a Casa da Economia Solidária Paul Singer, que tem oferecido programação virtual e organizado feiras online no período de isolamento.

São Paulo

Na capital paulista, o Ponto Benedito de Economia e Cultura e o Ponto Butantã estão abertos das 11h às 18h.

Os dois espaços são ligados à área de saúde mental do município e à Rede de Saúde Mental e Economia Solidária e funcionam como espaço de comercialização da produção de empreendimentos e coletivos, além de promoverem eventos relacionados ao universo da saúde mental e da economia solidária.

No período da pandemia, como forma de manter os pontos, foram realizados financiamentos coletivos, oferta de vale compras e divulgação de canais para compras online não só dos dois equipamentos, mas também de empreendimentos solidários e outras iniciativas na área da saúde mental.

A realização de lives e compartilhamento de vídeos também movimentaram as redes dos dois pontos.

Espírito Santo

Recentemente, a Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo abriu edital de seleção para empreendedores interessados em expor e comercializar produtos em feiras comerciais que acontecem no final do ano.

Há feiras previstas para novembro na capital, Vitória, e para dezembro em Cachoeiro do Itapemirim e em Guarapari.

Paraíba

Este estado do nordeste do Brasil também inicia o retorno de atividades da economia solidária em outubro.

O Centro Público Estadual de Economia Solidária (Ecoparaíba), administrado pelo governo do estado, está localizado no centro da capital, João Pessoa, e voltou a atender às quartas e sextas feiras, e também retomou a feira de produtos da agricultura familiar.  O Centro abriga cerca de 32 empreendimentos que comercializam produtos artesanais, hortaliças e verduras.

As feiras itinerantes de economia solidária também devem retornar às atividades em breve na capital. Nos demais municípios, decretos municipais deverão determinar o retorno e as condições em que isso acontecerá.

Bahia

As inscrições para participação na 11ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária (FEBAFES), considerada uma das maiores feira de agricultura familiar no país, estão abertas.

Esta edição da feira acontece em dezembro e será totalmente online, por meio de um website.

Serão organizados 27 armazéns virtuais, um para cada Território de Identidade da Bahia, reunindo o maior número de produtos originários de diferentes sistemas produtivos.

Rio Grande do Sul

No último sábado, 17/10, a cidade de São Leopoldo retomou a realização da Feira do Alimento Saudável, suspensa desde março, na qual são comercializadas frutas e verduras agroecológicas, pães caseiros e outros alimentos.

Também integram o evento bancas de plantas, flores e artesanato da economia solidária. Para isso, o decreto que estabeleceu o retorno determina o distanciamento de cinco metros entre bancas, higienização constante e disponibilização de álcool gel.

Foto: Anna Shvets/Pexels

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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