Fechado por causa da pandemia da Covid, Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, é obrigado a demitir 130 funcionários

Fechado por causa da pandemia da Covid, Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, é obrigado a demitir 130 funcionários

Depois das Cataratas do Iguaçu, o Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, no Paraná, é uma das principais atrações turísticas da região. O local recebe aproximadamente 800 mil visitantes por ano, que vão até ali para observar seus 1.300 pássaros, de cerca de 150 espécies diferentes. Segundo a administração do parque, ele é a única instituição do mundo focada no resgate, abrigo e conservação das aves da Mata Atlântica.

Fundado em 1994 por Dennis e Anna Croukamp, o parque paranaense é uma empreendimento particular e se mantém através do dinheiro arrecadado com a venda de ingressos, seu restaurante e loja.

Fechado desde meados de março por causa da pandemia do novo coronavírus, no último dia 27 de março, o parque divulgou uma triste notícia em suas redes sociais: informou que estava sendo obrigado a demitir 130 dos seus 250 funcionários.

“Hoje é um dia muito difícil e triste para todos nós aqui no Parque das Aves, pois temos que dizer adeus para grande parte da nossa equipe.

Durante os últimos 25 anos, formamos uma equipe dos sonhos, da qual nos orgulhamos muito.

O Parque das Aves é feito de pessoas. E é esta equipe dos nossos sonhos que fez do Parque uma instituição que foi além de tudo que imaginávamos na época da sua fundação, quando era ainda só um sonho de duas pessoas, Dennis e Anna Croukamp, meus pais. Foi o trabalho incansável de todos que realizou este sonho e criou uma instituição que luta por animais e pessoas.

Hoje, a maior parte dessa equipe precisa nos deixar, pelo menos por um tempo.

E como o Parque das Aves é feito de pessoas, não queremos deixar esse momento passar batido. Queremos reconhecer, e publicamente, este momento, como marco de respeito por nossa equipe dos sonhos…”

No texto, assinado por Carmel Croukamp, CEO do Parque das Aves, ele ressalta que o trabalho não vai parar, por uma questão de responsabilidade com as vidas e o bem-estar de 1.300 aves, a maioria vinda de resgates.

“Cuidar de 1.300 aves requer um esforço enorme. Continuaremos recebendo animais de resgate. Continuaremos com o trabalho em conservação de espécies, pois não temos o direito ético de parar esforços para salvá-las”, afirmou Croukamp. “Para o parque sobreviver, precisamos enfrentar o fato de que, até o final do ano, não teremos fonte de renda que minimamente sustente uma equipe de 250 pessoas. Não podemos esperar ou apostar em outras formas de ajuda futura do governo ou de outros, pois estaremos apostando vidas. Ainda temos como cumprir o nosso dever com nossos colaboradores, integralmente. Ainda conseguimos fornecer um apoio contínuo para toda essa nossa comunidade. Este é um ponto muito importante; a nossa comunidade merece esse carinho”.

Fechado por causa da pandemia da Covid, Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, é obrigado a demitir 130 funcionários

Os 120 colaboradores que foram mantidos ficarão responsáveis pelo cuidado com as aves e os programas de reprodução – uma grande porcentagem dos indivíduos do parque são provenientes justamente desse importante trabalho feito lá.

“Conseguimos reter uma equipe para cuidar muito bem das nossas aves e reformatar o parque para trabalhar fontes alternativas de renda que assegurem a nossa sobrevivência e uma recuperação mais forte possível. Na hora de reabrir, precisamos abrir da maneira mais segura e responsável possível, entendendo que o novo coronavírus estará aqui durante um tempo bastante longo. Nosso trabalho não pode parar, e não vai parar. Esperamos contar com seu apoio”, finalizou.

Se você quiser fazer uma doação para ajudar na manutenção do Parque das Aves, acesse este link. O valor mínimo começa em apenas 5 reais.

Sacrifício de animais

O Parques das Aves em Foz do Iguaçu é apenas um dos muitos zoológicos e instituições do mundo inteiro que estão sendo duramente impactadas pela pandemia da COVID-19.

No mês passado, o Neumünster Zoo, na Alemanha, revelou que tinha uma lista dos animais que poderiam ser sacrificados por causa da crise: eles serviriam como alimento para outros. A instituição explicou que provavelmente seriam cabras e veados, mas de maneira nenhuma, obviamente, espécies em risco de extinção.

De acordo com a European Association of Zoos and Aquaria (EAZA), associação que reúne zoológicos e aquários na Europa, a prática de usar os próprios animais dessas instituições como alimento para os demais não é atípica.

“A EAZA não tenta, e nunca tentou esconder, o fato de que alguns de nossos zoológicos membros alimentam animais carnívoros e onívoros sob nossos cuidados, com carne que ocasionalmente provêm das carcaças de
animais do zoológico. Os predadores precisam comer proteína animal, e não há diferença ética entre alimentar a carne de animais de criação e a carne de certos animais do zoológico. Esses animais são selecionados com cuidado, mortos humanamente e sem comprometer seu bem-estar, e a prática é inteiramente aceitável de acordo com os regulamentos da nossa associação”, informou em nota.

*Com informações da Deutsche Welle

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Fotos: reprodução Facebook Parque das Aves

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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