Fatboy Slim usa discurso de Greta Thunberg na ONU em nova versão do hit “Right here, right now”

Fatboy Slim usa discurso de Greta Thunberg na ONU em nova versão do hit "Right here, right now"

O artista, produtor e DJ britânico Norman Quentin Cook, ou melhor, Fatboy Slim, seu nome artístico, revolucionou a música eletrônica nos anos 90. Ele criou inúmeros hits que fizeram gerações de jovens dançarem nas baladas. E continua criando (recentemente tocou junto com Paul McCartney e Ringo Star no famoso estúdio da Abbey Road, em Londres). Já a adolescente ativista sueca Greta Thunberg também está mexendo com o mundo dos jovens, mas ao inspirá-los a irem para as ruas e protestar contra as mudanças climáticas.

Recentemente, o DJ decidiu remixar uma nova versão de um de seus mais conhecidos sucessos “Right here, right now”, usando parte do discurso de Greta, nas Nações Unidas, em Nova York, quando ela falou:

“Vocês roubaram nossa infância e sonhos com suas palavras vazias. Eu tenho sorte. Mas há pessoas sofrendo, pessoas morrendo, ecossistemas inteiros entrando em colapso. Estamos no início de uma nova extinção em massa e tudo sobre o que vocês podem falar é dinheiro e contos de fadas de um desenvolvimento econômico eterno. Se vocês decidirem por falhar conosco, nunca iremos perdoá-los…

Vocês estão nos deixando na mão. Mas os jovens estão começando a entender a sua traição. Os olhos de todas as gerações futuras estão sobre vocês. Eu digo que nunca os perdoaremos. Vocês não conseguirão escapar. Bem, aqui e agora, é onde traçamos a linha. O mundo está acordando e a mudança está chegando, quer vocês gostem ou não”.

Capa da revista Time, indicada ao Prêmio Nobel da Paz, “Mulher do Ano” pelo jornal sueco Expressen e Embaixadora da Consciência da Anistia Internacional, esta não é a primeira vez que Greta inspira um artista. Em julho, ela gravou uma música com a banda britânica The 1975.

Sobre um fundo instrumental, a adolescente falou sobre a crise climática e conclamou jovens a participar de uma “desobediência civil”. “É hora de nos rebelarmos”, destacou. A faixa faz parte do último álbum do grupo, Notes on a Conditional Form, lançado em agosto.

Greta Thunberg: inspirando o mundo

Em agosto de 2018, Greta decidiu fazer uma greve solitária em frente ao parlamento sueco, em Estocolmo, sempre às sextas-feiras. Seu protesto era pelo clima. Ela argumentava que seu país precisava fazer mais. O último verão tinha sido o mais quente da Suécia, com incêndios florestais e os termômetros alcançando temperaturas que não eram registradas há 262 anos.

Para a menina, que sempre usa tranças no cabelo, ela tem uma responsabilidade moral em ser uma ativista pelo clima. E não é da boca para a fora. Desde que começou a se interessar pelo tema, ainda com 9 anos, Greta se tornou vegetariana e se nega a comprar qualquer coisa que não seja absolutamente necessária.

A família instalou painéis solares em casa, tem sua própria horta e um carro elétrico, que sai da garagem apenas quando é extremamente indispensável. Em outras ocasiões, o meio de transporte preferido é a bicicleta.

Fatboy Slim usa discurso de Greta Thunberg na ONU em nova versão do hit "Right here, right now"

Greta, assim como a irmã, é autista. Ambas foram diagnosticadas com a síndrome de Asperger, uma forma mais branda do transtorno. O que faz de seu comportamento e de sua luta algo ainda mais inspirador, pois as pessoas com esta síndrome podem ter dificuldade em se comunicar e interagir com outras pessoas.

Mas a jovem sueca prova que tem o poder da comunicação. E fala com propriedade. Ela foi uma das palestrantes na Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP24, realizada na Polônia, no ano passado, e também esteve na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Em fevereiro de 2019, ela conseguiu a garantia da União Europeia de investimento de US$ 1 trilhão no clima.

“Temos que proteger a biosfera, os seres vivos, os oceanos, o solo e as florestas. Isso pode parecer ingenuidade, mas se vocês (políticos) tivessem feito sua lição de casa, saberiam que não temos outra escolha. Precisamos focar nas mudanças climáticas. Porque se falharmos em combatê-la, todas nossas conquistas e progressos não valerão nada. E o que restará de legado de nossos líderes políticos será o maior fracasso da humanidade ”, disse perante a Comissão Europeia.

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Montagem: fotos reprodução Facebook

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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