Exposição na Paulista reúne 18 artistas, que traduzem ‘Liberdade e Democracia’ em 30 obras

Faz seis anos que a ciclovia da Avenida Paulista, em São Paulo – entre a Rua Augusta e a Alameda Campinas -, ganha a companhia de uma exposição de arte muito bacana, organizada pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) e pela Maná Produções, inicialmente para celebrar o Dia do Trabalho, em 1º de maio.

Mas, devido à pandemia do coronavírus, este ano ela foi adiada. E, graças à burocracia, um pouco mais do que o previsto.

Remarcada para 7 de setembro foi adiada para o dia 25 do mesmo mês e, finalmente, para 16 de outubro, quando foi montada, mas não inaugurada.

Os panos pretos que protegiam as 30 obras selecionadas pelo curador Fernando Costa Neto, da DOC Galeria, para a sexta edição da Exposição da Paulista, foram descerrados nove dias depois de instalados porque aguardavam autorização da prefeitura.

Amazônia em São Paulo

Para chamar a atenção para o fato, o artista urbano Mauro Neri, que participa da mostra, fez uma intervenção genial: homenageou a Amazônia, pintando cada letra de seu nome em branco nos panos escuros.

“Como curador, fico muito feliz e satisfeito com esse ato do Mauro e esse recado pela vida, pela fauna e pela flora da maior floresta tropical do planeta. Amazonizar São Paulo é sempre bem-vindo”, declarou Costa Neto.

Dias depois, nada de liberação e o curador lamentou em seu Instagram: “A Avenida Paulista segue de luto”. “O tema desta edição é Liberdade e Democracia, não por acaso. Num ano já extremamente complicado, torço para que possamos colorir São Paulo com a mensagem deste time incrível de artistas o quanto antes”.

Diversidade de linguagens, estilos e gerações

Finalmente, no último domingo, 25/10, sem cerimônia, a avenida mais icônica da capital paulista ficou mais bonita com a exibição das obras que revelam as visões dos artistas sobre o que representam liberdade e democracia em tempos tão sombrios.

Costa Neto reuniu, nesta que é uma das maiores exposições a céu aberto do mundo, os talentos de Adriano Costa, Alex Cerveny, Alexandre Orion, Arnaldo Antunes e Marcia Xavier (em um trabalho conjunto), Deco Farkas, Frederico Filippi, Guto Lacaz (em sua segunda participação na mostra), Lenora de Barros, Marcelo Cipis, Mauro Neri, Os Tupys (Zé Carratu, Ciro Cozzolino e Carlos Delfino), Pinky Wainer, Rico Lins, Tadeu Jungle e Walter Silveira (veja todas as obras no vídeo no final deste post).

Nesta edição reunimos esse grupo de artistas para que cada um ressignifique o tema, que é sobre os nossos direitos básicos da liberdade e democracia, palavras que até outro dia estavam consolidadas, mas hoje voltaram a ser questionadas pelos que estão no poder”, diz o curador, que finaliza: “São Paulo é um bastião de resistência. Nossa cidade não se cala”.

Obra de Pinky Wainer

A organização da exposição destaca que seu adiamento não foi uma opção, mas se ajustou perfeitamente ao tema desta edição. O país enfrenta uma de suas piores crises, em todos os cenários, que foi acentuada pela pandemia. Tornou-se comum enfrentar ataques a instituições democráticas, a retirada de recursos da educação e da cultura e a falta de apoio aos trabalhadores e aos cidadãos.

“Governos são passageiros, mas liberdade e democracia são perenes. São valores que servem para todos. É nisso que devemos acreditar. Por isso, é esse o foco da nossa exposição”, ressalta Ricardo Patah, presidente nacional da UGT.

45 milhões de visualizações

Agora, imagine essa potência criativa vista por todas as pessoas que circulam pela Avenida Paulista. Por mês, são mais ou menos 5 milhões: 3 milhões moram e trabalham e 2 milhões passam por ali, pelo menos, uma vez a cada 30 dias. “Isso representa cerca de 45 milhões de views”, celebra Costa Neto.

“A exposição Liberdade e Democracia é uma resposta contundente da Cultura a um dos momentos mais difíceis de nossa história. Tanto pelo tema tão fundamental nestes dias incertos como também pela realização de um evento de grande porte em meio à pandemia, por suas características de visualização em movimento, sem concentração de pessoas. Sua realização por si só é uma vitória”, acrescenta André Guimarães, da Maná Produções.

E, por isso, é preciso celebrar! Quem estiver em São Paulo no próximo domingo, 1º de novembro, às 11h, pode se juntar ao curador da exposição, a representantes da UGT e da Maná e a alguns dos artistas participantes da da 6ª edição da Exposição Paulista, no Conjunto Nacional, para celebrar sua realização.

Obra de Rico Lins

Pra quem não lembra ou não acompanhou, os temas das edições anteriores destacaram: 30 Anos de Redemocratização do Brasil (2015); 100 Anos do Samba (2016); 17 Objetivos para Transformar o Mundo (2017); A Quarta Revolução Industrial (2018) e DIREITO DO AVESSO | AVESSO DO DIREITO (2019). 

Agora, assista ao vídeo que apresenta as obras de Liberdade e Democracia. Perfeito para quem não pode ver a mostra ao vivo.


Fotos: Avenida Paulista (reprodução Instagram) e obras (Divulgação)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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