Estudo científico compara eficácia de diferentes modelos de máscaras de proteção

Estudo científico compara eficácia de diferentes modelos de máscaras de proteção

Desde que a pandemia do novo coronavírus começou no início deste ano, as máscaras de proteção passaram a ser um instrumento importantíssimo para evitar o contágio do vírus. Segundo profissionais e especialistas de saúde, ao lado de lavar as mãos de maneira correta e constante, o uso da máscara é um hábito fundamental para evitar a proliferação da COVID-19, sempre que for necessário sair de casa.

Já são quase 20 milhões de pessoas infectadas no mundo inteiro e 730 mil mortes, mais de 100 mil delas no Brasil.

Para ajudar as pessoas a escolher a máscara que melhor evita a proliferação dos aerossóis, as gotículas de saliva invisíveis contendo o vírus, pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, realizaram testes comparando 14 tipos de máscaras.

Apesar de ter sido feito com equipamentos simples, o resultado do teste foi publicado na renomada revista científica Sciences Advance por ser comprovadamente eficaz e confiável. Durante o experimento, que você pode conferir no vídeo ao final deste texto, os cientistas utilizaram um equipamento com laser para verificar como os diferentes tipos de máscaras conseguiam evitar a propagação de aerossóis no momento em que uma pessoa falava sempre a mesma frase com e sem elas. Cada máscara foi testada dez vezes.

“Confirmamos que, quando as pessoas falam, pequenas gotas são expelidas, de modo que a doença pode se espalhar quando se fala, mesmo sem tosse ou espirros”, alerta o químico e físico Martin Fischer, diretor do Advanced Light Imaging and Spectroscopy Department, da Universidade de Duke e principal autor do estudo. “Também pudemos ver que algumas coberturas faciais tiveram um desempenho muito melhor do que outras no bloqueio de partículas expelidas.”

De acordo com a avaliação, como já era sabido, as máscaras N95, sem válvulas*, aquelas usadas pelos profissionais de saúde são as melhores. Mas os testes também demonstraram que as cirúrgicas ou de prolipropileno, com três camadas, são bastante eficazes, assim como as caseiras, fabricadas com tecido.

Todavia, a pesquisa mostrou que bandanas e balaclavas, aquelas máscaras que cobrem do nariz até o pescoço, comuns entre pilotos de automolismo, são as menos eficazes. No caso dessa última, inclusive, o alerta é que, em vez de ajudar, a balaclava, especialmente de fleece, um tecido feito com lã, pode aumentar a propagação do vírus.

“O bom senso diz que vestir qualquer coisa é melhor do que não vestir nada, mas este não é o caso aqui”, destaca Fischer. “Observamos que o número de gotículas aumentava quando o falante colocava a balaclava. Acreditamos que o material dela decompõe as grandes gotículas emitidas durante a fala em várias menores. Isso pode tornar o uso dessa máscara contraproducente, já que gotículas menores ter mais facilidade de ser levadas por correntes de ar e colocar em perigo as pessoas próximas”.

Estudo científico compara eficácia de diferentes modelos de máscaras de proteção

Balaclava e bandana, números 11 e 12, não são recomendadas

Por último, os cientistas ressaltam que a máscara é uma maneira simples e fácil de reduzir a disseminação da COVID-19. “Cerca de metade das infecções são de pessoas que não apresentam sintomas e muitas vezes não sabem que estão infectadas. Elas podem espalhar o vírus sem saber quando tossem, espirram ou fala simplesmente”, diz o físico Eric Westman, que também participou do estudo.

“Se todos usassem uma máscara, poderíamos conter em até 99% esses aerossóies antes que atingissem outra pessoa. Na ausência de uma vacina ou medicamento antiviral, é a única forma comprovada de proteger os outros e também a si mesmo”, completa.

*Máscaras com válvulas são excelentes para proteger as pessoas que a estão usando, mas não aqueles que estão em volta porque a válvura libera aerossóis e assim, não evita a proliferação do vírus.

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Foto: divulgação

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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