Estudo brasileiro alerta sobre riscos de celulares serem agentes de contaminação do coronavírus em hospitais

Estudo brasileiro alerta sobre riscos de celulares serem agentes de contaminação do coronavírus em hospitais

Desde o começo da pandemia da COVID-19, faz-se a alerta que o novo coronavírus pode ser transmitido através de superfícies que contenham o vírus, como por exemplo, celulares. Por isso sua limpeza, assim como de outros objetos, é tão importante, apontam especialistas de saúde.

Todavia, esse alerta sempre foi feito para a população em geral, mas um estudo, feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), revela que os telefones podem ser agentes de contaminação dentro de hospitais, já que os aparelhos foram incorporados como ferramentas de trabalho por muitos profissionais de saúde, que os usam frequentemente dentro desses ambientes.

Em um estudo feito em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com pacientes de COVID-19, no Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo, profissionais responderam a um questionário sobre higiene das mãos, o risco da chamada contaminação cruzada e a importância da desinfecção dos telefones. Paralelo a isso, foram analisadas as superfícieis de 51 aparelhos. Em dois deles havia presença do coronavírus.

“Pouco se sabe sobre o vírus em aparelhos celulares ou seu potencial de contaminação cruzada”, afirma Evelyn Espinoza, principal autora do estudo. “É necessária a implantação de políticas hospitalares oficiais para orientar os profissionais de saúde quanto à desinfecção e cuidados com os os telefones pessoais”, alerta.

Assim como em outros centros hospitalares, os profissionais que trabalham na UTI de COVID-19 no HC usam jalecos e máscaras N95, além de aventais cirúrgicos, protetores faciais e luvas sempre que entram no quarto de um paciente.

Logo no início da pandemia o hospital preparou uma campanha de conscientização sobre os procedimentos de desinfecção a serem implementados e seguidos por todos, entre eles, a limpeza de celulares com álcool 70%.

Apesar disso, dos 51 profissionais que participaram do estudo, onze (16%) disseram não se lembrar da campanha, quatro (8%) não acreditavam que o vírus pudesse permanecer nos telefones celulares e somente um (4%) não acreditava que ficasse nas mãos.

De acordo com a equipe de pesquisadores responsável pelo estudo, os resultados mostram porque é fundamental que seja implantada uma política universal em relação à desinfecção de telefones celulares em ambientes hospitalares.

No mundo inteiro, quase 55 milhões de pessoas já foram contaminadas pelo coronavírus e 1,3 milhão morreram. No Brasil, são 5,8 milhões de infectados e 165 mil perderam a vida.

A Europa e os Estados Unidos, onde o inverno está começando agora, enfrentam uma segunda onda de contaminações, com o aumento de casos, internações hospitalares e mortes. Apesar das boas notícias com os resultados preliminares de algumas vacinas em testes, sabe-se que a imunização em massa ainda pode demorar bastante tempo.

Como o vírus continua circulando, as recomendações continuam: usar máscara de proteção, lavar bem as mãos e manter o distanciamento social.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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