Estudantes do Pará são finalistas em competição mundial com projeto de ecobarreiras que impedem plástico de chegar aos oceanos

Estudantes do Pará são finalistas em competição mundial com projeto de ecobarreiras para impedir que plástico chegue aos oceanos

*Atualizado em 13/09/20

Um projeto da equipe de estudantes da Universidade Federal do Pará (UFPA) é um dos selecionados entre 107 do mundo inteiro, na fase final do desafio “1 Race 4 Oceans”, da competição Enactus World Cup 2020, iniciativa que tem como principal propósito criar um mundo melhor e mais sustentável através do desenvolvimento de uma geração de jovens líderes empreendedores e inovadores sociais.

O desafio lançado no final de 2019 pela competição global busca soluções para enfrentar a crise provocada pelo descarte de lixo plástico nos oceanos.

Os estudantes brasileiros da equipe Anamã, liderada por Larissa Peniche, de 23 anos, aluna de Engenharia Civil na UFPA, desenvolveram uma ecobarreira para conter o lixo plástico nos córregos e canais urbanos das cidades e assim, evitar que esses resíduos cheguem aos rios amazônicos e por fim, desemboquem nos oceanos.

Estudantes do Pará são finalistas em competição mundial com projeto de ecobarreiras para impedir que plástico chegue aos oceanos

Ecobarreira: solução simples e barata

As ecobarreiras são produzidas com conexões e tubos plásticos, além de fios feitos de garrafas PET, e por isso, têm um custo baixíssimo. De acordo com os estudantes, a solução é uma alternativa mais resistente e muito mais barata em comparação a aquelas empregadas atualmente (assista ao vídeo do Anamã ao final deste texto).

“Dentre outros dados assustadores, descobrimos que 61% do lixo produzido no Brasil acaba indo parar nos rios e que 96% dele é plástico. Vimos ainda que a Amazônia possui o segundo rio mais poluído por plástico do mundo”, diz Orlando Haber, presidente da Enactus UFPA, que desenvolve outros três projetos além do Anamã.

Estudantes do Pará são finalistas em competição mundial com projeto de ecobarreiras para impedir que plástico chegue aos oceanos

Filete de PET sendo produzido por artefato simples, criado pelos estudantes

Com a ajuda da Ford, uma das apoiadoras do Anamã, Belém ganhará novas ecobarreiras até o final do ano e será construído um centro de beneficiamento de plástico, o primeiro da Amazônia.

O ganhador do “1 Race 4 Oceans” será anunciado na grande final da Enactus World Cup, na próxima sexta-feira, dia 11, a partir das 13h (horário de Brasília). A equipe vencedora receberá um prêmio de 25 mil dólares.

Em tupi-guarani, Anamã significa “joia do rio”. “Condiz perfeitamente com a nossa missão”, revela Haber.

Como não torcer por esse projeto?! Bacana demais!

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*Infelizmente, a equipe brasileira não foi a vencedora do Enactus World Cup 2020. O projeto que ganhou o prêmio foi de estudantes do Egito.

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Fotos: divulgação

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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