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Estudantes do Ceará são premiadas na maior feira de ciências do mundo com filtro de água que usa planta do semiárido

Estudantes do Ceará são premiadas na maior feira de ciências do mundo com filtro de água que usa planta do semiárido

Lauanda Lima e Kalyne Falcão vivem em Pedra Branca, no Ceará. Com cerca de 45 mil habitantes, o município luta contra dificuldades comuns dessa região do semiárido nordestino. “A nossa cidade sofre com vários problemas relacionados à água. Nossa fonte de abastecimento não se enche há mais de cinco anos, então as pessoas não têm uma água própria para o consumo”, conta Lauanda.

Foi querendo dar uma solução a essa questão, que as estudantes de 17 anos decidiram desenvolver um projeto de um filtro de água com carvão ativado, que pudesse ser produzido de forma fácil e com baixo custo.

“Pensamos em utilizar biomassas para a produção do nosso carvão, então procuramos aquelas abundantes na nossa região e que fossem descartadas de forma incorreta”, revela.

As colegas optaram então pela jurema-preta (Mimosa hostilis), uma planta de pequeno a médio porte, com alguns espinhos em seus galhos, muito comum naquela área.

“E por ser abundante, as pessoas fazem seu descarte incorreto, utilizando para queimadas, que é um processo que libera 100% de gás carbônico e prejudica o planeta”, afirma Lauanda. “E na nossa carbonização da jurema diminuímos esse valor para 12,50%”.

Estudantes do Ceará são premiadas na maior feira de ciências do mundo com filtro de água que usa planta do semiárido

A jurema-preta, muito comum no semiárido nordestino
(Foto: Drewpiter/Creative Commons/Flickr)

Desde a concepção do projeto até o resultado final, foi necessário um ano de muitos testes. Mas as estudantes conseguiram criar o filtro de água ecológico, que segundo elas, pode ser facilmente fabricado em casa.

Além de sustentável e barato, custando apenas 50 centavos para ser produzido, o filtro de carvão se mostrou capaz de ajustar todos os parâmetros físico-químicos da água, como condutibilidade, solidez e pH, para torná-la potável.

Estudantes do Ceará são premiadas na maior feira de ciências do mundo com filtro de água que usa planta do semiárido

O filtro caseiro: de fácil montagem e barato
(Foto: arquivo pessoal)

As estudantes cearenses foram convidadas para mostrar o produto inovador na Feira Brasileira de Ciência e Tecnologia (Febrace), a maior feira brasileira pré-universitária de Ciências e Engenharia, promovida anualmente pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Lá ganharam seis prêmios e foram indicadas para representar o Brasil, junto com outros oito projetos nacionais, na Regeneron ISEF, um dos maiores eventos de ciências do mundo, que aconteceu recentemente em Dallas, nos Estados Unidos.

Pois as jovens brasileiras se destacaram no Texas e conquistaram o 1o lugar na categoria “USAID Science for Development – Climate and Environment Protection”, concedida pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.

“Foi uma sensação emocionante, foi diferente de tudo que a gente imaginava, não acreditávamos que íamos ser premiadas lá, foi muito surpreendente, muito incrível”, diz Lauanda.

Estudantes do Ceará são premiadas na maior feira de ciências do mundo com filtro de água que usa planta do semiárido

As estudantes no trabalho em laboratório
(Foto: arquivo pessoal)

Segundo ela, já foi fechada uma parceria com a empresa de tratamento de água de Pedra Branca para futuramente aplicar o filtro de carvão de jurema-preta (uma versão industrial) na estação da cidade.

Apesar do sucesso na área científica, as estudantes são, na verdade, alunas do curso de técnica de enfermagem da Escola Estadual Antonio Rodrigues Oliveira, e sonham em fazer medicina.

Com certeza, irão brilhar na área que escolherem!

Kalyne, de preto, e Lauanda, de laranja, durante a premiação da Febrace
(Foto: arquivo pessoal)

Além das estudantes do Ceará, outros brasileiros também se destacaram na feira internacional no Texas. Gustavo Serra conquistou o 2o lugar na categoria Animal Sciences com o repelente e inseticida desenvolvido a partir do tucum mirim (leia mais aqui).

Foram premiados ainda Lucas Sampaio, do Colégio Dante Alighieri, de São Paulo (SP), tirou também o 2o lugar na categoria USAID Science for Development – Working in Crisis and Conflict – com o projeto “Desenvolvimento de uma rede de baixo custo para proteção e monitoramento contra deslizamentos em encostas nos centros urbanos”; com o projeto Dispositivo Eletrônico para auxiliar na correção da síndrome do pé caído, Rebeca Goulart e Eloah Padrone, da Escola Técnica Estadual Henrique Lage, de Niterói (RJ), conquistaram o prêmio King Abdulaziz & his Companions Foundation for Giftedness and Creativity e com o projeto “Uso do grafeno associado a membrana inorgânica nanoporosa para o tratamento da água”, Helena Moschetta e Manuela Prado Machado, da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, de Novo Hamburgo (RS), levaram o Prêmio da China Association for Science and Technology. 

Fotos: arquivo pessoal

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