Jovem picado por naja é preso e multado em R$ 60 mil pelo Ibama por suspeita de tráfico de animais

Estudante picado por naja é multado em R$ 60 mil pelo Ibama e responderá processo por criação ilegal de outras serpentes

*Atualizado em 29/07/20

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que aplicou uma multa de R$ 60 mil reais a Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, por maus-tratos e por manter outras 16 serpentes em cativeiro sem autorização. A descoberta da criação dos animais exóticos aconteceu porque o estudante de veterinária do Distrito Federal foi picado por uma naja há cerca de dez dias e acabou em coma no hospital (leia mais aqui).

Lehmkuhl, que já recebeu alta e está em casa, também responderá a um processo por criação ilegal das cobras de maneira, que foram encontradas escondidas por uma equipe do Batalhão de Polícia Militar Ambiental, em um haras, no Núcleo Rural Taquara, em Planaltina. Dez delas eram de espécies exóticas, de origem norte-americana, e outras seis nativas da Amazônia e do Cerrado.

Não havia licença para a importação dos animais, que devem ser fruto do tráfico de animais silvestres.

A família do estudante também foi multada pelo Ibama. A mãe e o padrasto dele terão de pagar R$ 8,5 mil cada um, por terem dificultado a ação de resgate da naja. Segundo informações da polícia, os familiares não ajudaram nas investigações.

Quem também foi autuado, em R$ 68 mil foi o proprietário do lugar onde as demais cobras foram escondidas e um amigo de Lehmkuhl, suspeito de fazer parte do esquema de criação ilegal das serpentes, que recebeu uma multa de R$ 83 mil.

Todas as cobras estão em posse do Zoológico de Brasília, onde passaram por exames clínicas e estão em quarentena. Ainda será definido o destino final delas. Uma das possibilidades é que sejam encaminhadas ao Instituto Butantan, em São Paulo. Uma das preocupações de especialistas é que, para se ter espécies exóticas nesses locais, também se faz necessário possuir soro contra o veneno das mesmas.

A serpente que picou o estudante do Distrito Federal, por exemplo, é uma Naja kaouthia. Ela é originária do sudeste asiático e o Butantan, por sorte, tinha o soro antiofídico, mas em estoque limitado. Há informações de que a família de Lehmkuhl teria importado doses extras dos Estados Unidos.

Estudante picado por naja é multado em R$ 60 mil pelo Ibama e responderá processo por criação ilegal de outras serpentes

A serpente que serviu para colocar luz sobre uma
rede de tráfico de animais silivestres

O caso da naja fez com que o Ibama apreendesse, em sete dias, 32 serpentes. Algumas foram entregues espontaneamente por criadores.

Na região  administrativa de Vicente Pires, foram encontradas seis serpentes: duas jiboias arco-íris da Caatinga, duas da espécie píton (Ásia) e duas jiboias de Madagascar (África).

No total, já foram aplicadas multas no valor de mais de R$ 300 mil.

Estudante picado por naja é multado em R$ 60 mil pelo Ibama e responderá processo por criação ilegal de outras serpentes

Outra cobra apreendida nos últimos dias pelo Ibama

*Com informações da assessoria de imprensa do Ibama

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*Na terça-feira (22/07), a Polícia Civil do Distrito Federal prendeu um dos amigos de Pedro Lehmkuhl, suspeito de ter atrapalhado as investigações e escondido as serpentes. A ordem de prisão é temporária e vale por cinco dias.

Já o estudante picado pela naja foi preso, também provisoriamente, na quarta-feira, 29/07.

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Fotos: divulgação Zoológico de Brasília/Ivan Mattos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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