
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) e o Departamento de Saúde da Louisiana anunciaram ontem (06/01) a morte de um paciente infectado com a influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP), chamada comumente de gripe aviária, e transmitida pelo vírus H5N1. Em dezembro, o caso havia sido notificado publicamente. O óbito é o primeiro já registrado no país em decorrência da doença.
Segundo o governo da Louisiana, o paciente tinha mais de 65 anos e apresentava outros problemas de saúde. Ele teria contraído o vírus após exposição a “uma combinação de aves não comerciais de quintal e pássaros selvagens.”
“Embora trágica, uma morte por gripe aviária H5N1 nos Estados Unidos não é inesperada devido ao potencial conhecido de infecção com esses vírus para causar doenças graves e morte. Em 6 de janeiro de 2025, há 66 casos humanos confirmados de gripe aviária H5N1 no país desde 2024 e 67 desde 2022”, afirma o comunicado do CDC.
O órgão informa ainda que além dos Estados Unidos, mais de 950 casos de gripe aviária H5N1 foram relatados à Organização Mundial da Saúde; cerca de metade deles resultaram em morte. “O CDC analisou cuidadosamente as informações disponíveis sobre a pessoa que morreu na Louisiana e continua avaliando que o risco para o público em geral é baixo. Mais importante, nenhuma transmissão de pessoa para pessoa foi identificada. Assim como no caso da Louisiana, a maioria das infecções por gripe aviária H5 está relacionada a exposições de animais para humanos. Além disso, não há alterações virológicas preocupantes se espalhando ativamente em pássaros selvagens, aves domésticas ou vacas que aumentariam o risco para a saúde humana.”
Pior epidemia mundial do H5N1
As aves migratórias, principalmente as aquáticas, são apontadas como as principais responsáveis pela transmissão da gripe aviária. Nelas o H5N1 é altamente contagioso. Poucos dias após a contaminação, os sintomas já ficam visíveis, como paralisia e inchaço de partes do corpo, e vários órgãos param de funcionar. O sistema neurológico é comprometido e os animais começam a apresentar tremores. A taxa de mortalidade chega a 90%.
No mundo todo, este é o pior surto de gripe aviária já registrado. Milhões de animais morreram em países do Hemisfério Norte, e na América do Sul, onde estima-se que mais de 500 mil aves vieram à óbito, além de 20 mil leões-marinhos só no Chile e no Peru (no Brasil houve vários casos também no Rio Grande do Sul em 2023).
Nos Estados Unidos, em maio do ano passado, pesquisadores confirmaram oficialmente que um trabalhador de uma fazenda contraiu a gripe aviária após contato com uma vaca infectada. O caso aconteceu no Texas, mas ele apresentou apenas uma inflamação nos olhos, sem nenhum problema respiratório.
De acordo com um artigo publicado no The New England Journal of Medicine, uma das publicações médicas mais respeitadas do mundo, infecções humanas esporádicas pelo vírus da gripe aviária de alta patogenicidade já foram notificadas em 23 países ao longo de mais de 20 anos.
Infelizmente, já se sabe que o vírus, inicialmente apenas identificado em aves, agora contamina também mamíferos e pode ser passado entre espécies diferentes, como por exemplo, de vacas para felinos. Também em 2023, gatos que ingeriram leite cru, ou seja, não pasteurizado, morreram, vítimas da gripe aviária (saiba mais aqui).
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Imagem de abertura: divulgação National Institute of Allergy and Infectious Diseases




