Estado americano de Wisconsin libera a caça de 300 lobos na ‘temporada de outono’ de 2021

Estado americano de Wisconsin libera a caça de 300 lobos na 'temporada de outono' de 2021

Sob o protesto de especialistas em conservação, organizações de proteção animal e cientistas do Departamento Estadual de Recursos Naturais, o estado americano de Wisconsin anunciou que caçadores poderão matar até 300 lobos cinzas na “temporada de outono”, que acontecerá entre novembro de 2021 e fevereiro do ano que vem. A recomendação de biólogos é que esse número fosse de no máximo 130 indivíduos.

“O que está sendo chamado de manejo de lobos neste estado é um assalto motivado por vingança perpetrado por criadores de cães de luta, caçadores de troféus, interesses especiais dissimulados e seus aliados anti-lobo na legislatura estadual”, afirmou Paul Collins, diretor estadual da organização Animal Wellness Action, durante o encontro em que, por 5 votos a dois, decidiu-se pela cota de 300 lobos. Grupos pró-caça queriam que esse número fosse de 500.

Como já contei aqui há alguns meses em outra reportagem, desde 1974 os lobos cinzas faziam parte da Lista de Espécies Ameaçadas Protegidas dos Estados Unidos. Foram retirados entre 2012 e 2014, até que uma ação judicial de defensores da vida selvagem conseguiu colocá-los de volta na lista. Até o ano passado, quando o governo do então presidente Donald Trump derrubou a proteção.

Com isso, no começo deste ano, o governo do Wisconsin rapidamente já organizou uma temporada oficial de caça, com duração prevista para uma semana. Entretanto, havia uma cota máxima permitida de lobos que poderiam ser mortos: 200 no total, sendo 81 deles destinados aos indígenas da etnia Ojibwe (que geralmente nãos os matam porque os consideram sagrados).

O resultado foi que, em menos de três dias, mais de 200 foram mortos, provocando comoção e muitas críticas.

De acordo com o Departamento de Recursos Naturais do Wisconsin, a população atual da espécie no estado é estimada em cerca de 1 mil animais e a meta estabelecida para seu controle, em 1999, é que ela seja em torno de 350.

Os lobos são os maiores membros da família canídeos, a mesma a que pertencem os cães de estimação. No passado, eles foram os mamíferos terrestres selvagens mais amplamente distribuídos no Hemisfério Norte. Todavia, quase entraram em extinção porque sempre foram vistos com uma ameaça. Por isso eram mortos, inclusive, com o apoio governamental, que incentivou a caça, uso de armadilhas e envenenamento.

Acredita-se que como os indígenas da etnia Ojibwe têm direito a uma cota da caça aos lobos e não os matam porque os consideram sagrados, dos 300 estipulados para a temporada, 150 sejam poupados.

Em uma nota, os líderes Ojibwe se disseram indignados. Afirmaram que a decisão não levou em conta a ciência.

“O ódio contra esse ser é baseado em mitos. Tivemos o equivalente funcional de duas temporadas já este ano. Nada vai dissuadir o desejo de mais sangue de nosso irmão. O que vai faltar hoje é respeito. Respeito pela ciência, respeito pela comunidade tribal, respeito pelos ma’iingan” lamenta John Johnson Jr., presidente do Lac du Flambeau Band do Lago Superior Chippewa, ao usar o termo indígena para os “lobos”.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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