Espécie nativa das Américas do Norte e Central, perigosa tartaruga-mordedora é encontrada no interior de São Paulo

Espécie nativa das Américas do Norte e Central, perigosa tartaruga-mordedora é encontrada no interior de São Paulo

É só olhar a face da tartaruga-mordedora e já dá pra perceber que inofensiva ela não é. Nativa das Américas do Norte e Central, a Chelydra Serpentina é uma das maiores espécies de água doce do mundo. E tem uma mordida tão forte que pode arrancar até um membro de algum ser humano desavisado, que se arrisque perto dela. E o que exatamente uma delas faz em Presidente Prudente, no interior de São Paulo? A pergunta ainda não tem resposta, mas graças ao alerta de um morador da cidade, a Polícia Ambiental resgatou o animal, que foi encaminhado para o Zoológico da Cidade da Criança.

De acordo com a polícia, provavelmente como outras espécies invasoras e exóticas, a tartaruga-mordedora foi trazida ilegalmente para o Brasil.

Os veterinários do zoológico paulista explicam que esse é um cágado semiaquático e sua mordida pode chegar a até 600kg, mais forte que a de um leão. É capaz de quebrar ossos humanos facilmente. Indivíduos da espécie pesam cerca de 150 kg. Sua alimentação se baseia em peixes, moluscos, anfíbios, cobras, aves e mamíferos aquáticos, além de outras tartarugas.

Espécie nativa das Américas do Norte e Central, perigosa tartaruga-mordedora é encontrada no interior de São Paulo

A espécie tem comportamento agressivo quando se sente ameaçada

Assim como outros animais que chegam ao zoológico, a tartaruga passará por um período de quarentena no hospital veterinário, para só depois ser transferida para um recinto próprio.

A Polícia Ambiental de Presidente Prudente ainda tenta achar a pessoa que abandonou o cágado, num acostamento próximo de uma represa. Como este tipo de prática é considerado crime, se alguém tiver alguma informação sobre o caso, deve entrar em contato com a corporação pelo telefone (18) 3906-9200.

Espécie nativa das Américas do Norte e Central, perigosa tartaruga-mordedora é encontrada no interior de São Paulo

Tartaruga é originária das Américas Central e do Norte

O mercado do tráfico de animais

Segundo o relatório divulgado no ano passado pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), “Criminalidade da Vida Selvagem”, 6 mil espécies foram capturadas entre 1999 e 2019 – mamíferos, corais, aves, peixes e cobras.

O levantamento aponta que nenhuma espécie é responsável por mais de 5% das apreensões, nenhum país foi identificado como fonte de mais de 9% do número total de remessas apreendidas e que traficantes de 150 nacionalidades foram identificados, ou seja, o comércio de vida selvagem é um problema global.

O tráfico de animais silvestres é o terceiro maior comércio ilegal do mundo, perdendo apenas para o de armas e de drogas.

Vale lembrar que, no Brasil, qualquer pessoa pode denunciar suspeitas de criação ilegal de animais silvestres por meio da Linha Verde do Ibama pelo telefone 0800-618080.

Leia também:
Espécie exótica, endêmica ou invasora? Se você não souber a diferença, a gente explica!
“Se encontrar, mate!”, recomendam autoridades sobre nova espécie de inseto invasor nos Estados Unidos
Em poucas semanas é encontrado em Fernando de Noronha um quarto peixe-leão, espécie invasora, predadora e venenosa
Mais um estado tenta liberar cultivo do panga, espécie exótica invasora que coloca em risco a biodiversidade local
Madrid fará abate e esterilização de periquitos para reduzir superpopulação da ave invasora
Um é invasor, outro é nativo. Adivinha quem está ganhando a batalha?

Fotos: divulgação Polícia Ambiental (abertura) e demais Zoológico da Cidade da Criança

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta