Especialistas dizem que meta de redução de carbono apresentada por Salles é “insuficiente e imoral”

Especialistas dizem que meta de redução de carbono apresentada por Salles é "insuficiente e imoral"

A menos de um mês do fim do prazo legal, o governo brasileiro, através de seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, parece ter enfim decidido apresentar sua nova NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) ao Acordo de Paris, compromisso assumido por mais de 190 países do mundo, durante encontro na França, para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e assim, tentar limitar o aquecimento da atmosfera terrestre e os efeitos catastróficos das mudanças climáticas.

De uma versão do documento da NDC que circulou na terça-feira à noite, conclui-se que o país terá duas metas:

1 – uma redução de 43% nas emissões do Brasil em 2030 em relação a 2005, tal como indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2015;

2 – uma intenção de atingir a neutralidade em carbono em 2060, dez anos depois do anunciado pela maioria dos países do mundo, exceto a comunista China.

Em mais uma tentativa de chantagear países ricos, Salles, condicionou a antecipação da meta de 2060 ao pagamento de US$ 10 bilhões de dólares por ano ao Brasil a partir do ano que vem.

A NDC anunciada é insuficiente e imoral. A redução de 43% nas emissões em 2030 não está em linha com nenhuma das metas do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a menos de 2°C ou a 1,5°C. Ela nos levaria a um mundo cerca de 3°C mais quente se todos os países tivessem a mesma ambição. Imoral porque, num momento em que dezenas de países começam a aumentar significativamente a ambição de suas metas, em linha com novas recomendações da ciência, o Brasil oferece um esforço adicional de apenas 6%, que já estava proposto antes mesmo de o Acordo de Paris ser adotado. O mundo mudou, mas as metas do Brasil não.

“Como dizia o Barão de Itararé, de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. O mundo esperava ambição do quinto maior emissor do planeta. Ganhou em vez disso uma motosserra apontada contra a maior floresta tropical da Terra e uma exigência de resgate hoje para parar de desmatar e emitir em menos de 40 anos. É mais uma irresponsabilidade deste governo com a agenda de clima, e uma atitude que isola ainda mais o país no cenário internacional”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

Na segunda-feira (07/12), o OC lançou uma proposta de NDC para o Brasil compatível com as metas de Paris. Ela propõe um corte de 81% nas emissões em 2030 em relação a 2005 e o atingimento da neutralidade de carbono em 2050, em linha com o resto do mundo.

*Texto divulgado pela assessoria de imprensa do Observatório do Clima

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Foto: Lula Marques/Fotos Públicas

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