Esculturas gigantes em novo museu submarino são metáfora da fragilidade e da força dos oceanos

Esculturas gigantes em novo museu submarino são metáfora da fragilidade e da força dos oceanos

Este é um museu onde o distanciamento social está garantido e a única máscara obrigatória é a de mergulho. Inaugurado próximo à Ilha de Sainte-Marguerite, na costa de Cannes, na França, no Mar Mediterrâneo, ele é fruto do novo trabalho do artista britânico Jason deCaires Taylor.

Foram necessários quatro anos para que ele completasse as seis esculturas gigantescas que compõem o museu submarino francês. Cada uma delas mede mais de 2 metros de altura e pesa 10 toneladas. As faces, tridimensionais, são retratos de moradores das comunidades locais, como Maurice, um pescador de 80 anos, ou Anouk, um estudante de 9 anos.

O museu, que foi encomendado pela prefeitura de Cannes, fica num lugar estratégico para mergulhadores. Perto da costa, em uma área de águas rasas e cristalinas, perfeitas para snorkeling também.

Esculturas gigantes em novo museu submarino são metáfora da fragilidade e da força dos oceanos

Assim como em seus demais trabalhos, Taylor produz as esculturas com cimento marinho, que tem pH neutro e é muito mais resistente que o tradicional. As obras têm como função se tornar recifes de coral artificiais.

Mergulhador profissional, o artista passou a infância explorando corais na Malásia. Sua formação em escultura e cerâmica, veio do London Institute of Arts. Suas esculturas aquáticas são sempre em tamanho real e geralmente feitas com moldes de pessoas de verdade, habitantes do lugar onde a instalação artística será instalada (veja outros trabalhos seus nas reportagens citadas no LEIA MAIS ao final deste texto).

O novo museu de Cannes convida à mais uma reflexão sobre os oceanos do planeta.

“As faces divididas são uma metáfora para o oceano. De um lado elas mostram força e resiliência, do outro a fragilidade e decadência, assim como de cima, vemos a superfície do mar, calma e serena ou poderosa e majestosa. No entanto, abaixo da superfície está um ecossistema frágil e bem equilibrado – que tem sido continuamente degradado e poluído ao longo dos anos pela atividade humana”.

Abaixo, algumas imagens desse trabalho belíssimo e impactante:

Esculturas gigantes em novo museu submarino são metáfora da fragilidade e da força dos oceanos
Esculturas gigantes em novo museu submarino são metáfora da fragilidade e da força dos oceanos

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Fotos: divulgação Jason deCaires Taylor

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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