Equipes de resgate conseguem salvar 110 baleias encalhadas na Austrália, mas quase 400 morreram

Equipes de resgate conseguem salvar 50 baleias encalhadas na Austrália, mas quase 400 morreram

Como mostramos aqui no começo da semana, dezenas de profissionais tentaram correr contra o tempo para salvar centenas de baleias encalhadas na costa da Austrália. Inicialmente acreditava-se que eram 270 animais, que ficaram presos nos bancos de areia de Macquarie Harbour, uma enseada de águas rasas, na costa da ilha da Tasmânia.

As baleias encontradas são piloto (Globicephala), uma espécie do grupo dos golfinhos, que podem chegar a ter mais de 7 metros de comprimento e pesar até 3 toneladas.

Encalhes não são incomuns nessa região da Austrália. Mas nunca antes se viu um bando tão grande delas. Em 2009, quase 200 ficaram presas nessa mesma área.

Equipes de resgate conseguem salvar 50 baleias encalhadas na Austrália, mas quase 400 morreram

As baleias-piloto encalhadas na baía australiana

Infelizmente apesar de todos os esforços feitos nos últimos dias, segundo comunicado do Governo da Tasmânia divulgado hoje, as equipes de resgate conseguiram levar 110 baleias de volta a alto mar, mas outras 380 já estão mortas. Ainda há algumas vivas.

Além disso, depois de um sobrevoo mais ao sul da região, a cerca de dez quilômetros da baía, foi avistado um outro grupo encalhado, com mais 200 baleias. Com isso, o número total de animais é de aproximadamente 450.

“Do ar, a maioria das baleias adicionais detectadas parecem mortas, mas um barco foi até lá esta manhã para fazer uma avaliação da água ”, disse Nic Deka, gerente da área de controle de incidentes do Serviço de Parques e Vida Selvagem da Tasmânia. “Nosso foco está com aqueles animais que ainda estão vivos. A mortalidade aumentou, mas há um significativo número que está vivo, então vamos continuar a trabalhar com eles”.

A equipe conta com 90 profissionais, entre biólogos, veterinários e voluntários, que têm se revezado incansavelmente dia e noite, dentro da água fria, para salvar o maior número de cetáceos possível.

“Não lidamos com um encalhe desse tipo antes e estamos usando novos e inovadoras técnicas como parte do resgate: levando os animais para o mar – nunca antes tivemos que fazer isso com baleias-piloto em tal escala. Trazer animais ao lado de um barco é um nova técnica para nós ”, explica Kris Carlyon.

A expectativa é que, em alto mar, as baleias resgatadas voltem a reagrupar.

Uma segunda preocupação agora é como será feita a remoção dos corpos das baleias mortas, que não poderão ficar no local.

Equipes de resgate conseguem salvar 50 baleias encalhadas na Austrália, mas quase 400 morreram

Número de mortes já chega a 380

A princípio, os biólogos acreditam que o encalhe foi natural. A espécie é mais suscetível a esse tipo de acidente porque vive em grandes grupos, coesos, e sempre segue um líder – a matriarca. Caso ela se perca ou rume a águas superficiais, todas têm o mesmo destino.

Baleias-pilotos podem ser observadas no mundo todo, em regiões tropicais à temperadas quentes, sobretudo, em alto mar e ilhas insulares, em águas de grande profundidade, com o o caso de Fernando de Noronha, no Brasil.

Esses cetáceos são carnívoros, alimentando-se principalmente de lulas, mas também comem polvos e peixes. As baleias-pilotos vivem, em média, 60 anos.

Equipes de resgate conseguem salvar 50 baleias encalhadas na Austrália, mas quase 400 morreram

Trabalho de resgate já passa de 72 horas

*Texto alterado em 27/09/20, às 23h, para atualização de números

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Fotos: The Advocate/Brodie Weeding e Tasmania Parks and Wildlife Service

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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