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“Enquanto elas estão lucrando, o planeta está queimando”, diz Gaston Browne na COP27, ao cobrar impostos sobre emissões de petrolíferas

Nesses primeiros dias da chamada Cúpula dos Líderes, que reúne lideranças mundiais na Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas (COP27), em Sharm el-Sheikh, no Egito, alguns dos discursos mais fortes têm vindo de representantes de pequenos países, aqueles mais vulneráveis aos impactos do aquecimento global e que têm sofrido duramente com enchentes, furacões e outros desastres naturais, como é o caso das nações caribenhas.

Na segunda-feira (07/11), a a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, relembrou catástrofes ocorridas nos últimos meses, todas associadas com a crise climática. Ela ressaltou a responsabilidade de líderes do Hemisfério Norte em agir, todavia, afirmou que falta vontade política para tal. “Fomos aqueles cujo sangue, suor e lágrimas financiaram a revolução industrial. Pagaremos agora pelo seu impacto?”, questionou.

Ontem foi a vez do primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, cobrar a responsabilidade financeira das empresas petrolíferas pela emissão de gases de efeito estufa.

“A indústria de petróleo e gás continua a ganhar quase US$ 3 bilhões diariamente em lucros. Já é hora de que essas empresas sejam obrigadas a pagar um imposto global de carbono sobre seus lucros como fonte de financiamento para perdas e danos”, afirmou. “Produtores perdulários de combustíveis fósseis se beneficiaram de lucros exorbitantes às custas da civilização humana. Enquanto eles estão lucrando, o planeta está queimando”.

Antígua e Barbuda faz parte da Alliance of Small Island State, uma aliança de pequenas ilhas nações, que reivindicam não apenas que as indústrias ligadas à exploração de combustíveis fósseis pague por seus danos ao meio ambiente, mas também que os países mais ricos e poluidores, e entram aí nessa lista China e Índia, contribuam financeiramente para ajudar os mais pobres a mitigar os efeitos do aumento da temperatura na Terra. O financiamento climático é uma das principais pautas dessa COP27 e a ONU tem se referido a ele como “Perdas e danos”.

Durante a conferência do clima realizada em Paris, em 2015, as grandes economias se comprometeram a pagar U$S 100 bilhões por ano para esse fim, mas na prática, nada foi feito.

Um estudo divulgado esta semana apontou que países em desenvolvimento e emergentes – excluindo a China – precisam de investimentos bem acima de US$ 2 trilhões por ano até 2030 se o mundo quiser parar o aquecimento global e lidar com seus impactos.

Segundo a análise encomendada pelos governos do Egito e do Reino Unido, Um trilhão de dólares deve vir de países ricos, investidores e bancos multilaterais de desenvolvimento, disse a análise encomendada pela Grã-Bretanha e pelo Egito, esse dinheiro deve vir de países ricos, investidores e bancos multilaterais de desenvolvimento, e uma outra parte de recursos internos públicos e privados.

“Os países ricos devem reconhecer que é de seu interesse vital – bem como uma questão de justiça, devido aos graves impactos causados por seus altos níveis de emissões atuais e passadas – investir em ação climática em mercados emergentes e países em desenvolvimento”, ressalta o economista Nicholas Stern, principal autor do relatório.

“A evidência é irrefutável. A perda de vidas e meios de subsistência, de territórios e culturas, é irreversível. O culpado – a mudança climática induzida pelo homem – é inquestionável. Já com 1,1oC de aquecimento, estamos vivendo em uma era de perdas e danos incontroláveis. Nós, na linha de frente, estamos pagando o preço de décadas de ação totalmente insuficiente por parte dos maiores responsáveis pelo estado perigoso do nosso clima”, dizem os países da Aliança das Pequenas Ilhas Nações.

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Foto de abertura: reprodução Facebook Office of The Prime Minister Antigua and Barbuda

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