Empresas se unem para consertar gratuitamente milhares de respiradores sem uso no Brasil

Empresas se unem para consertar gratuitamente 3,6 mil respiradores sem uso no Brasil

Enquanto professores e alunos de diversas universidades do país inteiro desenvolvem novos e mais baratos modelos de respiradores mecânicos para atender a demanda por esses aparelhos nos hospitais que estão tratando pacientes infectados pelo novo coronavírus – mostramos neste outro post o aparelho criado pela Universidade da Paraíba e aqui, nesta reportagem, o feito pela equipe da Poli, da USP, a indústria também está fazendo sua parte!

Uma rede voluntária de empresas se uniu para consertar 3,6 mil ventiladores pulmonares que estavam parados, sem uso, no Brasil. Por algum tipo de problema mecânico, esses aparelhos tinham sido colocados em um canto. E agora se tornam extremamente necessários porque são essenciais para salvar a vida dos pacientes em estado mais grave.

Boa parte dos 3,6 mil respiradores que estão sendo consertados vieram do estado de São Paulo. O projeto, liderado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), envolve nove empresas.

Empresas se unem para consertar gratuitamente 3,6 mil respiradores sem uso no Brasil

O conserto dos ventiladores está sendo feito em 25 pontos de manutenção, dos quais dez são unidades do SENAI e 15 estão em plantas de empresas, entre elas, no ginásio de uma fábrica da Scania Brasil. Segundo a companhia, são dez profissionais voluntários diretamente ligados ao reparo e a higienização dos aparelhos, incluindo técnicos de manutenção, limpeza e logística de peças. Mas, ao todo, participam do trabalho cerca de 30 pessoas, das mais diversas áreas.

“Nossa equipe está preparada para garantir a entrega dos ventiladores em um processo estruturado, como de uma linha de montagem”, diz Fábio Cardoso, planejador de manutenção da empresa.  

Apesar de os respiradores não estarem sendo utilizados até então nos hospitais onde estavam, todos passaram por um processo de higienização antes e após chegarem à fábrica da Scania, para não colocar em risco à saúde de nenhum dos voluntários. Além disso, toda a equipe usa equipamentos de proteção durante o trabalho de reparo.

“Ver esta iniciativa tomando forma acende a chama de esperança no coração e fico um pouco mais aliviado, pois a cada entrega deste time, estamos contribuindo para melhorar o atendimento nos hospitais”, destaca Douglas Bonfim, gerente da manutenção da Scania Brasil.

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Fotos: divulgação Scania Brasil

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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