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Em Pantanal, Zé Leôncio e Velho do Rio prendem caçadores, mas Brasil afora, criminosos matam animais silvestres impunemente

Em Pantanal, Zé Leôncio e Velho do Rio prendem caçadores, mas Brasil afora, criminosos matam animais silvestres impunemente

O capítulo da terça-feira (09/08) da novela Pantanal, exibida pela Rede Globo, mostrou o personagem Zé Leôncio, interpretado pelo ator Marcos Palmeira, e os peões da fazenda indo atrás de caçadores que estavam na propriedade. Durante a noite, são ouvidos tiros e imagens mostram três homens armados andando pela mata. Com a ajuda do Velho do Rio, vivido com maestria por Osmar Prado, os criminosos ficam encurralados e são pegos. No dia seguinte, são entregues para integrantes da polícia, que chegam no local.

Escrita em 1990 por Benedito Ruy Barbosa e exibida pela extinta TV Manchete, o remake da novela está sendo adaptado por Bruno Luperi, neto do autor original, que tem usado a ficção para chamar a atenção sobre vários e importantes assuntos ambientais e sociais: desde o perigo dos incêndios para o Pantanal e a extinção de espécies do bioma, como também sobre o respeito à sexualidade dos personagens, como é o caso do preconceito enfrentado por Zaqueu (Silvero Pereira) até a violência psicológica e moral sofrida por Maria Bruaca (Isabel Teixeira).

Na terça, Luperi usou Pantanal para falar de dois temas ambientais: a visita de Joventino (Jesuíta Barbosa) na fazenda de Santa Catarina para conhecer de perto um modelo mais sustentável de agricultura e o problema da caça a animais silvestres.

Atualmente, no Brasil, somente está liberada a caça de controle a uma espécie animal exótica e invasora, o javali-europeu (Sus scrofa) e a seu híbrido, o porco-doméstico (javaporco). Todavia, a pena para quem for autuado matando outra espécie de animal é de apenas seis meses a um ano de prisão e multa.

Diante então de uma punição tão branda, e ainda mais com a falta de fiscalização no país e o incentivo do governo Bolsonaro para o porte de armas, em especial entre caçadores, os criminosos se sentem fortalecidos.

Caçadores flagrados dentro de reservas e unidades de conservação

Esta semana mostramos aqui no Conexão Planeta o registro do nascimento de um segundo filhote, só em 2022, na reserva do Rio de Janeiro onde antas ficaram extintas durante um século. A descoberta foi feita graças às imagens obtidas pelas armadilhas fotográficas instaladas pela equipe do Projeto Refauna 
na Reserva Ecológica de Guapiaçu, no município de Cachoeiras de Macacu.

Entretanto, apesar da boa notícia, os pesquisadores revelaram que as câmeras registraram no mesmo local e no mesmo dia que o filhote passou com a mãe, caçadores armados passando pela trilha.

“Infelizmente, imagens de caçadores têm se tornado cada vez mais comuns em nossos monitoramentos. Um dos problemas do aumento expressivo do acesso às armas de fogo é pôr em risco nossa fauna, incluindo espécies ameaçadas de extinção, e a equipe que está constantemente em campo”, alertou o Refauna.

Já no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, uma Unidade de Conservação de Proteção Integral criada com o objetivo de preservar um dos mais significativos remanescentes da Mata Atlântica na América do Sul e onde são proibidas a caça e a pesca, entre 2009 e 2019, a Polícia Ambiental e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) registraram mais de 1.300 autos de infração. Entre as principais vítimas estão animais como cutias, pacas, veados, porcos-do-mato, catetos e até espécies de grande porte, como antas, onças-pardas e pintadas.

E desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o governo e colocou em prática sua política armamentista, houve um salto de 333% nos novos registros de armas para CACs (caçadores, atiradores e colecionadores de armas de fogo). Entre 2018 e 2021, o número passou de 59.439 para 257.541.

Pra piorar ainda mais este cenário, que coloca em risco a nossa fauna e apesar de 93% dos brasileiros serem contra a caça, existe um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional que prevê a legalização da caça esportiva de animais silvestres no Brasil. O PL 5544/2020 é de autoria do ex-deputado federal Nilson Stainsack (leia mais aqui).

Infelizmente, se um projeto como esse for aprovado, não vai existir Zé Leôncio ou Velho do Rio na vida real para proteger nossos animais.

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Foto: divulgação TV Globo

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