Em poucas semanas é encontrado em Fernando de Noronha um quarto peixe-leão, espécie invasora, predadora e venenosa

peixe-leão

*Texto atualizado em 29/08/21
O Instituto Chico Mendes de Conservação à Biodiversidade informou que na última semana foram capturados mais dois peixes-leões na ilha de Fernando de Noronha. “A captura confirma que os registros anteriores não foram casos isolados”, ressaltou a chefe do ICMBio, Carla Gaitanale.

Segue abaixo o texto original da reportagem.

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Há poucos dias noticiamos aqui no Conexão Planeta que um peixe-leão havia sido capturado na ilha de Fernando de Noronha. Era o segundo da espécie encontrado ali desde dezembro do ano passado. Agora, mais um indivíduo foi registrado na quarta-feira (11/08). O animal foi morto por instrutor de mergulho. Ele estava na enseada das Cagarras (Ilha Rata), na área do Parque Nacional, a uma profundidade de 18 metros.

Nativo dos Oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) é um predador. Ele se alimenta vorazmente de outras espécies. Já em seu habitat natural, ele é controlado pela cadeia alimentar, onde é presa de garoupas e tubarões, por exemplo. Mas longe desses inimigos, se reproduz rapidamente e sem controle. Uma fêmea pode colocar até 2 milhões de ovos por ano. Nos seres humanos, seus espinhos venenosos provocam muita dor.

Assim como os dois peixes anteriores localizados em Noronha, as amostras do achado esta semana serão analisadas pela equipe do Departamento de Biologia da Universidade Federal Fluminense e também, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. O objetivo é tentar determinar de onde eles vieram. A suspeita mais provável é que sejam originários do Caribe.

Desde 2019, o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelas áreas protegidas do arquipélago de Fernando de Noronha, faz uma campanha de alerta e monitoramento entre moradores, pescadores e empresas da área turística sobre os perigos relacionados ao peixe-leão. Com a captura do terceiro indivíduo, e o segundo em poucos dias, o ICMBio irá programar cursos e palestras de capacitação com as operadoras de mergulho para promover o acompanhamento da espécie.

A recomendação é que, caso o peixe-leão seja avistado, não deve-se tentar capturá-lo ou matá-lo, mas comunicar imediatamente a equipe do Projeto Conservação Recifal.

Em menos de oito dias é encontrado em Fernando de Noronha mais um peixe-leão, espécie invasora, predadora e venenosa

O peixe encontrado na Enseada das Cagarras, em Noronha

Até hoje, já foram capturados seis peixes-leões no Brasil. Nas últimas décadas, houve uma proliferação sem controle dele tanto no Mar Mediterrâneo como no Caribe (leia mais nesta reportagem de 2016).

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Fotos: Tchami/Creative Commons/Flickr (abertura) e Lucas Penna/ICMBio (peixe-leão morto)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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