Em meio à pandemia, estiagem prolongada faz Paraná decretar emergência hídrica

Em meio à pandemia, estiagem prolongada faz Paraná decretar emergência hídrica

O estado do Paraná vive a pior estiagem desde 1997. A baixa precipitação já dura dez meses. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), nove das maiores cidades paranaenses tiveram chuvas bem abaixo da média histórica entre junho de 2019 e março de 2020. E abril, que acabou de terminar, também não ajudou.

“O verão ficou marcado por precipitações muito abaixo do esperado, o que levou ao cenário de intensificação da estiagem em quase todo o Paraná”, explica Antonio Jusevicius, coordenador de operação do Simepar. “Tivemos quebra de recordes históricos de mínimos de chuva em algumas estações do Simepar, especialmente em Curitiba”, completou.

Para se ter uma ideia, na capital, a média mensal de chuvas para o mês março nas últimas décadas era de 127 milímetros. Mas este ano, choveu apenas 12 mm.

Um sistema de rodízio no abastecimento de água já havia sido implementado em Curitiba e em alguns municípios da região metropolitana, como Araucária, Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais. O racionamento, feito por causa da queda de vazão de rios, córregos e poços, envolve a interrupção do abastecimento pelo período de 24 horas.

O Rio Miringuava, que abastece Curitiba e doze cidades do entorno, perdeu 60% do volume de água. O nível médio das barragens do Iraí, Passaúna e Piraquara 1 e 2, do Sistema de Abastecimento Integrado da capital, está em 62,7%.

Em meio à pandemia, estiagem prolongada faz Paraná decretar emergência hídrica

Por causa do cenário preocupante, ainda mais durante a pandemia do novo coronavírus, quando hábitos de higiene, sobretudo, o lavar das mãos constante, é recomendado para evitar o contágio da COVID-19, o governador do estado, Carlos Massa Ratinho Junior decretou na quinta-feira (07/05), situação de emergência hídrica pelo período de 180 dias.

Pelo decreto, o “abastecimento humano tem prioridade em relação às outras atividades”, em detrimento ao uso da água por setores como o agropecuário, industrial e de lazer.

O Rio Miringuava, que abastece Curitiba e doze cidades do entorno, perdeu 60% do volume de água. O nível médio das barragens do Iraí, Passaúna e Piraquara 1 e 2, do Sistema de Abastecimento Integrado da capital, está em 62,7%.

E a previsão do Simepar para os próximos meses não é encorajadora. De acordo com o órgão, a estiagem no Paraná deve durar ao menos até setembro, com as estações do outono e inverno apresentando um clima seco e frio.

Um dos principais cartões turísticos do Paraná, as Cataratas do Iguaçu, atualmente fechadas para visitação devido à pandemia do coronavírus, estava, em abril, com uma vazão quase 80% menor do que a média.

As águas das cataratas vêm do Rio Iguaçu, que tem seu leito na região de Curitiba.

Em meio à pandemia, estiagem prolongada faz Paraná decretar emergência hídrica

Volume da água das cataratas está abaixo da média há mais de três meses

Até este momento, o Ministério da Saúde informa que há 1.656 casos de COVID-19 confirmados no Paraná, com o registro de 104 óbitos.

Leia também:
Lavanderias, pias e banheiros são instalados para atender pessoas em situação de rua durante a pandemia, em São Paulo e Salvador

Fotos: Pedro França/Agência Senado/Flickr (abertura), Geraldo Bubniak (solo seco) RPC Foz do Iguaçu/Reprodução (Cataratas do Iguaçu)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta