Em decisão inédita, dois estados americanos aprovam leis que obrigam empresas a se responsabilizarem pelo descarte correto de suas embalagens

Em decisão inédita, dois estados americanos aprovam leis que obrigam empresas a se responsabilizarem por descarte correto de suas embalagens

Assim como nos Estados Unidos, a gestão do lixo doméstico é um grande problema no mundo inteiro. Ainda hoje, grande parte dos resíduos gerados em residências acaba tendo como destino aterros sanitários ou a incineração. A reciclagem representa uma porcentagem muito pequena do setor. Entre os americanos, as embalagens somam cerca de 28% dos resíduos sólidos municipais. E apenas 53% desse volume vai para centros de reciclagem e menos ainda é realmente reciclado: estima-se que pelo menos 25% dos materiais coletados no país são rejeitados.

Mas agora dois estados podem desencadear uma mudança enorme no cenário dos Estados Unidos. Os governos do Maine e do Oregon aprovaram leis que obrigam empresas e fabricantes a se responsabilizarem pelo descarte correto das embalagens usadas em seus produtos.

Segundo as novas legislações, estão incluídas caixas de papelão e embalagens plásticas usadas em bens de consumo doméstico, como produtos de higiene pessoal ou alimentos, dentre outros. Ficam excluídas, entretanto, embalagens destinadas a armazenamento de longo prazo (mais de cinco anos), recipientes para bebidas, latas de tinta e cartelas de medicamentos e dispositivos médicos.

No Maine, a lei entrará em vigor em meados de 2024 e no Oregon no ano seguinte, em 2025. Com a medida, os custos da gestão de resíduos passarão do bolso de prefeituras e consumidores para os fabricantes.

Nos Estados Unidos, algumas indústrias já são obrigadas a administrar o descarte de seus produtos, como por exemplo, aparelhos eletrônicos, baterias de carro, colchões e pneus.

Em 2017, a China proibiu a importação de lixo plástico de outros países. Até então, ela era o maior consumidor global de resíduos – 7,3 milhões de toneladas por ano -, que chegavam ali para serem reciclados em solo chinês. Com os asiáticos fechando os portos para o recebimento desse tipo de material, britânicos, americanos e japoneses, os maiores “exportadores” desses dejetos, precisaram encontrar novas soluções de como lidar com o próprio lixo.

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Foto: © rawpixel

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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