Em comportamento raro, tigre macho cuida de filhotes após morte da fêmea

Em comportamento raro, tigre macho cuida de filhotes após morte da fêmea

Assim como outras espécies de felinos, entre os tigres, são as fêmeas que cuidam de suas crias. Elas são as responsáveis por ensinar estratégias vitais para a sobrevivência na vida selvagem, como caçar, marcar território e se defender de outros animais. Até os dois anos de vida, os filhotes ficam ao lado da mãe, quando então, partem para formar sua própria família. Ou seja, o macho só tem papel importante no momento da reprodução. Mas um episódio recente que ocorreu na Reserva de Panna Tiger, em Madhya Pradesh, na Índia, surpreendeu especialistas.

Após a morte de uma tigresa, em maio, que deixou quatro filhotes, o macho foi visto caçando, mas curiosamente não se alimentou da presa e deixou a carcaça da vaca morta na mesma área onde estão os pequenos tigres. Um mês antes, a equipe da reserva já tinha observado o pai tinha compartilhado um veado com os filhos.

Depois do óbito, a equipe da reserva instalou armadilhas fotográficas na área onde os filhotes se encontravam para poder acompanhá-los e garantir sua sobrevivência. Começaram a notar então interação do macho com eles, inclusive, em brincadeiras. Foi inclusive observado uma vocalização do tigre, no que parecia ser um chamado para eles.

“Sim, as circunstâncias indicam que o tigre macho está cuidando de seus filhotes. Estamos monitorando o comportamento do tigre e dos filhotes”, afirmou U.K. Sharma, diretor de campo da Panna Tiger Reserve, em entrevista ao site Mongabay Índia.

Um dos quatro filhotes descansa numa pedra

Acredita-que os filhotes tenham cerca de 8 meses. Todos aparentam ótimo estado de saúde. Tem se alimentado bem e são bastante ativos. Todavia, ainda não sabem caçar por conta própria. Alimentos (carcaças de animais) serão deixados em seu território caso perceba-se a necessidade.

“Embora tenham instintos naturais, é possível que aprendam a caçar sozinhos, mas terão dificuldade em aprender as habilidades sem a mãe. Se ganharem peso e crescerem fortes, é provável que aprendam a caçar nos próximos meses”, prevê Sharma.

Ele revelou que a fêmea e o macho já estavam juntos há mais de dois anos e não havia sido visto com outras tigresas. Depois da cremação do corpo do animal morto, seu parceiro foi ao local e também, permaneceu horas no lugar onde ela foi encontrada sem vida – a causa do óbito ainda não foi determinada (ela usava um colar de monitoramento e por isso foi localizada rapidamente quando sinais mostraram pouca atividade).

“O comportamento do tigre reforçou a crença de que sua presença não significa nenhum dano aos filhotes. Em vez disso, nos deu mais esperança sobre a segurança dos filhotes. Não há muito conhecimento sobre o comportamento dos filhotes após a morte de sua mãe. Também estamos aprendendo mais sobre isso”, disse o diretor da reserva.

O macho flagrado pela armadilha fotográfica com o veado morto

A região de Madhya Pradesh é conhecida como o ‘Estado do Tigre’, pois possui uma população de 526 indivíduos, segundo dados de 2018. Todavia, até o início de julho, 24 tinham morrido e outros 26 no ano passado.

No início de junho, escrevi sobre uma história parecida, mas com uma outra espécie do reino animal. Foi o caso do cisne macho, em Boston, flagrado carregando seus filhotes após morte da fêmea. O registro da família de aves emocionou milhares de pessoas e viralizou na redes sociais.

Assista abaixo o vídeo produzido pela Mongabay Índia que conta a história do tigre e seus filhotes:

*Texto com informações da reportagem de Manish Chandra Mishra

Fotos:  divulgação Panna Tiger Reserve

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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